Ainda parece um tanto difícil de acreditar, mas em apenas uma década as montadoras estarão proibidas de vender novos carros a gasolina ou diesel na Europa. Ou quase isso. A regulamentação, na verdade, exige zero emissões de CO₂, sem necessariamente banir motores térmicos. Isso abre brecha para os combustíveis sintéticos, aqueles mesmos que prometem neutralidade de carbono, mas que, na prática, ainda estão longe de ser uma alternativa viável.
Fato é que, caso realmente essa meta entre em vigor, a venda de novos carros movidos a combustão será eliminada nos 27 estados-membros da UE. A Comissão Europeia (CE), braço executivo da União Europeia, reafirmou nesta semana seu compromisso com o plano inicialmente anunciado anos atrás: nenhum carro novo poderá emitir CO₂ a partir de 2035.

Antes disso, será preciso reduzir as emissões em 55% até o fim da década. Mas, como sempre, há um detalhe: "A Comissão também acelerará o trabalho de preparação da revisão prevista do Regulamento de Padrões de CO₂ para carros e vans." Ou seja, o jogo ainda pode virar, e essa história pode ter capítulos bem diferentes antes do apito final.
Nesse meio tempo, as montadoras receberão apoio para atingir as metas intermediárias. As exigências de CO₂ para 2025 são cerca de 15% menores que os padrões de 2021, o que coloca muitas destas marcas na mira de multas milionárias por exceder os limites de emissões da frota. Em janeiro, o Grupo Volkswagen estimou que terá de desembolsar cerca de 1,5 bilhão de euros (9,3 bilhões de reais) até fim do ano. E isso porque ainda nem chegamos às metas de 2035.

VW terá que desembolsar mais de 1,5 bilhões em multas por excesso de emissões só em 2025
Mas nem tudo é tão rígido assim. A Comissão Europeia decidiu afrouxar as regras e dar mais tempo às montadoras para atingir os cortes de CO₂. Em vez de 2025, agora elas têm até 2027 para se adequarem. O truque? Em vez de cumprir limites anuais, as fabricantes poderão calcular a média das emissões ao longo de três anos (2025-2027). Assim, se passarem um pouco do limite em um ano, mas compensarem depois, escaparão das multas. Ou seja, um respiro para as montadoras e mais um indício de que essa transição pode não ser tão linear quanto os discursos políticos fazem parecer.
Para acelerar a adoção dos elétricos, a UE também promete injetar dinheiro na produção de baterias. O chamado pacote "Battery Booster", de 1,8 bilhão de euros, financiará a fabricação de células e componentes na Europa. Além disso, uma nova entidade facilitará o acesso a matérias-primas essenciais, enquanto 1 bilhão de euros (cerca de 6.2 bilhões de reais) será investido no refinamento de materiais e no desenvolvimento de novas tecnologias de bateria.

Foto de: Roland Hildebrandt
VW ID.EVERY1

Foto de: Renault
Renault Twingo E-Tech
E como ficam os consumidores? A UE jura que tornará os elétricos mais acessíveis, com incentivos e esquemas de leasing social para modelos novos e usados. As montadoras, por sua vez, tentam atrair compradores com carros elétricos mais baratos, como Citroën e-C3, Volkswagen ID.1 e Renault Twingo. A Dacia também prepara um elétrico acessível para substituir o Spring, com preço abaixo de 18.000 euros. No papel, tudo parece bem planejado. Mas será que, na prática, esse empurrão financeiro será suficiente para convencer um mercado inteiro a abrir mão dos motores a combustão?
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Fonte: European Commission