Estratégia de Trump pode levar os EUA a uma recessão, com perda do padrão de vida dos americanos. "A inflação já está perigosa nos EUA, perto de 3%. Com as tarifas, há expectativa de chegar a 6% e aí as pessoas param de comprar, o que vai levar a um quadro de recessão", diz Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM.
Há risco de perda de empregos e estagflação. Com o freio no consumo, há risco também de redução nos empregos, o que levaria a um cenário de estagflação, que é a combinação de inflação alta e estagnação econômica, diz Fortes.
Efeito internacional
O efeito inflacionário não ficará restrito somente aos Estados Unidos. O aumento de tarifas deve reduzir o comércio internacional de forma ampla e o efeito disso é aumento da inflação para diversos produtos e países, diz Trevisan. "Quando reduz o comércio, a oferta, os preços sobem, isso é indiscutível", diz.
Principais parceiros comerciais dos EUA serão os mais afetados. Segundo Trevisan, México, Canadá e China serão os mais afetados pelo tarifaço de Trump. Além da inflação, há risco também de redução da atividade econômica, em especial para o México. "No México, a recessão já chegou com o simples anúncio de que algo ia acontecer", diz.
Restrições ao comércio ameaçam atividades em diversos países. Além do aumento de preços, há riscos para atividades com forte exportação para os Estados Unidos, ressalta o professor da ESPM. No caso da Europa, um destaque é a produção de vinhos, que será prejudicada caso o produto seja taxado nos EUA. No Brasil, além de aço e alumínio, há destaque para a produção de peças para a indústria.