Além disso, constataram os suecos, os carros sem limitadores de velocidade tendem a provocar buzinadas e outras reclamações de quem vem atrás. No fim, a dor de cabeça é grande a ponto de realmente prejudicar as vendas de tais modelos.

No caso de veículos esportivos, também há questões de marketing. "A gente sabe que o carro será usado por quem gosta de acelerar. Logo, se você limita a velocidade demais, acaba prejudicando o principal atrativo dele", explica, sob anonimato, um engenheiro envolvido na produção de um dos carros nacionais mais rápidos à venda.
Diante do consenso de que só a Lei pode impor a limitação da velocidade, a União Europeia foi uma das que se movimentou nesse sentido. Assim, desde o ano passado, todo carro zero-km vendido nos países do bloco deve oferecer o chamado ISA.
Essa é a sigla em inglês para o "assistente inteligente de velocidade", que é alimentado por câmeras e dados de GPS para compreender se o motorista está, ou não, acima da velocidade permitida na via. Caso o excesso seja constatado, o carro deve exibir alertas que podem ser sonoros, visuais ou físicos, incluindo tremores intencionais no pedal do acelerador ou do volante.

A União Europeia, entretanto, exige apenas alertas do ISA, que não precisa limitar à força a velocidade do carro. Isso porque há riscos de o GPS interpretar erroneamente a velocidade da via ou de se tratar de uma situação emergencial. Outro motivo tem a ver com ultrapassagens em faixas simples, onde exceder o limite da via pode ser necessário para executar uma manobra evasiva.
De acordo com os estudos de avaliação da política pública europeia, para cada 1 km/h a menos, reduz-se os acidentes em 5%. Entretanto, vem se constatando que o ISA também está criando uma falsa sensação de segurança, fazendo os motoristas pensarem que, uma vez dentro do limite de velocidade, a direção será segura independentemente de outras boas práticas.

No Brasil
Muito antes da União Europeia, o Congresso Nacional já discutiu a proposta de instalar limitadores de velocidades nos carros, mas não deu certo.
Em 2010, o deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS) apresentou um projeto de lei na Câmara que obrigaria os carros nacionais a saírem de fábrica com a velocidade máxima restrita a 140 km/h. O parlamentar argumentou que a ideia poderia reduzir fatalidades no trânsito em até 60%, mas o projeto acabou arquivado.
Em contrapartida, várias montadoras já vendem carros com velocidade limitada eletronicamente, ainda que bem acima dos 120 km/h. É o caso da Volvo, que decidiu limitar todos os seus modelos a 180 km/h, justamente em nome da segurança. Já o BMW iX1 e outros carros elétricos também não passam dessa faixa de velocidade, mas a fim de, principalmente, otimizar o alcance das baterias.