Opinião - Vaivém: Com diversificação de produtos do agro, Brasil avança na Ásia

há 2 dias 1

A Ásia, região visitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma comitiva de empresários na semana passada, sustenta o agronegócio brasileiro. Os negócios eram tímidos no início deste século, mas, com a migração urbana e evolução do poder aquisitivo na região, o Brasil passou a ser o ponto de sustentação de boa parte de demanda de produtos agropecuários dos países asiáticos.

Há poucos anos, os negócios se concentravam nas exportações de soja para a China. O Brasil conseguiu, no entanto, um aumento dos parceiros comerciais e uma diversificação dos produtos exportados para os asiáticos.

Considerando apenas os itens agropecuários, as exportações brasileiras para a Ásia somaram US$ 68 bilhões em 2024. No início do século, era US$ 1,8 bilhão. Quando somados os demais produtos, como celulose e outros itens relacionados ao setor, esse volume financeiro vai a US$ 80 bilhões, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

A China é o grande motor da região, mas a diversificação de produtos que o Brasil está colocando na Ásia abriu as portas de vários outros mercados com grande demanda na região. Indonésia, Tailândia, Bangladesh, Filipinas, Malásia e Vietnã estão nessa lista.

Seis países da região superaram US$ 3 bilhões em importações de produtos agropecuários brasileiros no ano passado. Há poucos anos, apenas a China tinha importância nessa lista.

A China é um caso à parte. Os chineses compraram o correspondente a US$ 49,7 bilhões no ano passado do agronegócio do Brasil. Antes voltados para a soja, que ainda domina a relação comercial com o Brasil, ampliaram os negócios com carnes, açúcar, algodão e celulose.

As carnes entraram forte na lista de consumo dos asiáticos. Crise sanitária animal em vários países e a renda maior fizeram com que eles ficassem com 45% da proteína animal exportada pelo Brasil no ano passado.

A China, que praticamente não comprava carnes do Brasil no início dos anos 2000, elevou as compras para 2,13 milhões de toneladas em 2024. Essas compras se acentuaram a partir de 2019, quando surgiram problemas sanitários no país, como gripe aviária e peste suína africana.

A oferta interna de carne suína e de frango foi recomposta na China após as crises sanitárias no setor, mas a dependência do país asiático de carne bovina continua intensa, uma vez que a produção dos chineses fica abaixo da demanda. No ano passado, o Brasil colocou 1,34 milhão de toneladas de carne bovina na China, no valor de US$ 6 bilhões. Ao todo, o Brasil exportou 2,89 milhões de toneladas, num total de US$ 12,9 bilhões, segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

A Ásia se tornou também um grande comprador de açúcar brasileiro, com 37% do que o país exportou. A demanda dos países asiáticos ajuda também no desenvolvimento das produções de algodão, fumo e celulose brasileiros, devido ao aumento constante das importações.

Uma nova fronteira que se abre, principalmente por causa da China, é a do café. No ano passado, a Ásia gastou US$ 1,4 bilhão com a importação do produto brasileiro. Há uma década, eram US$ 624 milhões. O milho também deverá engrossar a lista dos produtos brasileiros que serão enviados para a Ásia.

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