Opinião - Adriana Fernandes: Lira ficará entre o centrão crítico e a tributação popular dos milionários

há 1 dia 2

Se confirmada, a indicação do deputado Arthur Lira (PP-AL) para relator do projeto do Imposto de Renda vem com um pacote para o presidente Lula. Há o compromisso do chefe da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com Fernando Haddad de que a proposta será aprovada com a compensação do aumento da faixa de isenção até R$ 5.000.

Mas Lira está ao lado do centrão raiz, que critica Lula e Haddad por querer taxar rico com o imposto mínimo sem abrir mão de benefícios fiscais e corte de despesas.

O governo só quer arrecadar? É a pergunta que vão fazer de olho nas eleições de 2026. Certeza que a divulgação, pela Receita Federal, de que a carga tributária em 2024 foi a maior em 15 anos reforçará as críticas.

Lira está com Motta e ninguém duvida que, na posição de relator, voltará a falar em reforma administrativa, responsabilidade fiscal e corte de gastos. Esse posicionamento agrada a Faria Lima, e o ex-presidente da Câmara, ao longo do seu mandato, construiu uma interlocução com o mercado financeiro, repetindo seu antecessor, Rodrigo Maia.

O centrão é um grupo sensível à pressão dos empresários mais ricos (e eles são muitos no Congresso). Mas Lira é também pragmático. Já defendeu a responsabilidade fiscal e foi parceiro de Haddad nas medidas de tributação dos mais ricos: offshore e fundos exclusivos.

O pacote "Lira relator" também vem com outros interesses: "não mexe nas emendas", "nos meus cargos" e "não deixa Renanzinho me atrapalhar no meu estado". Adversário político de Lira em Alagoas, o ministro dos Transportes de Lula, Renan Filho, é uma liderança do MDB e está entregando as concessões que o presidente precisa para o PIB.

Se o governo garantir o que Lira quer, é um bônus porque facilita a aprovação do projeto do IR, o mais importante para Lula. O deputado vai apoiar —em que condições são outros quinhentos.

Entre o centrão crítico e o apelo do projeto, o ex-presidente da Câmara só não pode esquecer que a taxação dos milionários é popular e vai ter relator no Senado também.

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