A Nissan apresentou na área de Minato Mirai 21, em Yokohama, sua mais recente tecnologia de direção autônoma. Pela primeira vez no Japão, um veículo de teste sem motorista a bordo rodou por uma via pública, em um ambiente urbano descrito como complexo.
Minato Mirai 21 é uma área de urbanismo planejado na região portuária de Yokohama, que vem sendo revitalizada desde os anos 80. Fica a 40 quilômetros de Tóquio e abriga sedes de várias empresas, inclusive da Nissan Motors. O teste ocorreu em ruas movimentadas, com muitos pedestres e carros em circulação. O limite de velocidade no bairro é de 40 km/h.

Foto de: Nissan
A tecnologia está sendo desenvolvida para um serviço de mobilidade que a Nissan pretende lançar no Japão. Busca solucionar desafios do transporte local, como a escassez de motoristas - reflexo do envelhecimento e da diminuição da população do país.
O carro que rodou sem um motorista ao volante foi a minivan híbrida Serena, que tem sete lugares e é o segundo modelo mais vendido pela Nissan no Japão (só fica atrás do Note). O protótipo autônomo traz um conjunto de 14 câmeras, nove radares e seis sensores Lidar. Os sensores montados no teto oferecem uma detecção ainda mais precisa, aproveitando os 1,86 m de altura do teto da minivan. A Inteligência Artificial também desempenhou um papel essencial no reconhecimento do ambiente.

Foto de: Nissan
Para garantir a segurança na demonstração do veículo de teste, os engenheiros da Nissan verificaram um grande número de possíveis cenários ao longo da rota, adicionaram uma função de parada imediata para emergências e introduziram redundâncias intencionais.
Prevista para 2025 e 2026, a próxima fase envolverá testes de demonstração de serviço, em Yokohama, com aproximadamente 20 veículos. Esta etapa permitirá que a Nissan desenvolva uma estrutura para a operação dos táxis. O objetivo final é lançar serviços comerciais de mobilidade autônoma em 2027, em colaboração com municípios e frotistas, contando com suporte de monitoramento remoto.

Foto de: Nissan
Para fazer a Serena “andar sozinha”, a fabricante vem usando tecnologias desenvolvidas em pesquisas no Japão, bem como estudos conduzidos pelo Nissan Advanced Technology Center, no Vale do Silício (EUA), e participação no projeto EvolvED, do governo do Reino Unido.
O programa envolve o Ministério da Economia, Comércio e Indústria, o Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo e a cidade de Yokohama. Esses órgãos governamentais estão promovendo o desenvolvimento de novos serviços de mobilidade autônoma por meio do Comitê de Aceleração da Mobilidade de Nível 4. Por outro lado, a participação de tantas entidades também pode causar atrasos.
A Nissan foi uma pioneira no estudo da direção autônoma. Desde 2017, ainda nos tempos da geração anterior da Serena, vem realizando testes e demonstrações de sua tecnologia. Agora tenta estabelecer e validar a segurança, adaptando-a a diferentes condições de tráfego ao redor do mundo.

Foto de: Nissan
Segundo o comunicado da empresa, "Os testes estão sendo conduzidos usando sistemas de direção autônoma remota equivalentes à automação de Nível 2 da SAE, em conformidade com as diretrizes do Japão para aprovação regulatória de veículos equipados com sistemas de direção autônoma remota." Por Nível 2, entenda-se veículos que, apesar de guiados de forma independente, ainda necessitam de supervisão humana na maior parte do tempo.
Pelo cronograma atual, somente em 2029 ou 2030 a Nissan deverá alcançar a autonomia de Nível 4 — com carros que operam praticamente sozinhos e requerem a intervenção do condutor apenas em circunstâncias extremas. Por enquanto, a legislação japonesa vem restringindo o uso dos Nível 4 a serviços de transporte em locais de pouca circulação e com velocidade máxima de 40 km/h.
Enquanto isso, a rival Waymo, do Google, lidera a corrida pela autonomia de Nível 5. Já tem táxis autônomos elétricos Jaguar I-Pace com autonomia de Nível 4 operando normalmente em cidades dos Estados Unidos como Los Angeles, São Francisco, Austin e Phoenix.
Além disso, a Waymo pretende chegar ao Japão ainda este ano, por meio de uma parceria com uma empresa de táxis de Tóquio (mas ainda com um motorista humano atrás do volante, por conta da legislação local).
A China, para variar, já está alguns passos à frente. No ano passado, estreou o Yichi 06, um robôtáxi elétrico totalmente autônomo fabricado pela JMC (Jiangling Motors Corporation) a partir de tecnologia desenvolvida pela Baidu, o “Google chinês”.
O Yichi 06 é um autônomo Nível 4 e sequer tem volante. O hardware de seu sistema de direção autônoma inclui 40 sensores, sendo cinco unidades Lidar, e processadores com capacidade de computação de 1.200 Tops (Tera operações por segundo), garantindo respostas rápidas e eficientes. Além disso, sua bateria pode ser trocada em apenas três minutos.
Testado por mais de 32 milhões de quilômetros, em 7 milhões de corridas antes do lançamento, o táxi da Baidu-JMC já entrou em operação em dez cidades do país, mas a ideia é expandi-lo para além das fronteiras nacionais em um futuro próximo.
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