Uma pesquisa inédita do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgada nesta quarta-feira (26), mostra que mais de um terço dos apostadores apresenta algum nível de risco ou transtorno relacionado ao jogo, com os adolescentes sendo o grupo mais vulnerável.
Os dados apontam que 55,2% dos jovens que apostam estão na zona de risco. O estudo faz parte do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, uma pesquisa domiciliar conduzida pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) com financiamento da Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos).
A pesquisa, que conta com dados de 2023, incluiu um bloco de perguntas voltadas para apostas e comportamento relativos a jogos. Embora não envolva o uso de substâncias químicas, o comportamento de jogar pode apresentar características comuns aos de transtornos por uso de substâncias, incluindo perda e controle, tolerância e abstinência.
O objetivo é mapear padrões de consumo e comportamentos associados ao uso de substâncias no Brasil. A pesquisa abrange indivíduos com 14 anos ou mais, selecionados em diferentes cidades do país.
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As apostas englobam diferentes modalidades, incluindo loterias, sites de apostas online, jogo do bicho, raspadinhas e cassinos.
Os dados foram divulgados durante o lançamento do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, no Ministério da Justiça.
A pesquisa mostrou ainda que o consumo de analgésicos opioides registrou um aumento expressivo na última década. Segundo os dados levantados, a taxa na população geral saltou de 0,8% em 2012 para 7,6% em 2023.
Os opioides são compostos que interagem com receptores do sistema nervoso para aliviar a dor e são amplamente utilizados no pós-operatório para amenizar desconfortos intensos. No entanto, seu uso inadequado pode levar à dependência, tornando-se um problema de saúde pública.
No Brasil, essas substâncias já circulam no mercado ilegal, chegando a usuários sem prescrição médica e fora do ambiente hospitalar, o que amplia os riscos associados ao consumo descontrolado.
Segundo a pesquisa, entre as mulheres, o crescimento foi ainda mais expressivo, saltando de 1% para 8,8% de 2012 a 2023.