Entenda o caso
Em julho do ano passado, Chrys compartilhou com seus seguidores a conquista de uma Ferrari Purosangue vermelha, avaliada em cerca de R$ 8 milhões. No vídeo, destacou o simbolismo de levar o carro para a favela, mostrando que "quem veio daqui, igual nós viemos, também pode ter uma Ferrari". A publicação rapidamente viralizou, acumulando milhões de curtidas e milhares de comentários.

No entanto, após o vídeo ganhar notoriedade, a Ferrari teria solicitado a devolução do veículo. Segundo o próprio Chrys, o motivo do pedido era de que seu "estilo de vida não combina com os valores da marca".
Nas redes sociais, surgiram especulações de que o influenciador teria adquirido o carro por meio de intermediários, sem seguir os protocolos da marca para a compra de veículos zero-quilômetro exclusivos. A Ferrari impõe algumas condições para clientes que desejam modelos especiais como a Purosangue, e uma delas seria já possuir outros carros da marca na garagem. A reportagem tentou contato com Chrys para esclarecer os detalhes, mas não obteve retorno.
A nova Ferrari de Chrys não é tão exclusiva como a Purosangue, que tem produção limitada. Embora seja um superesportivo desejado, a 488 Spider foi produzida em larga escala entre 2015 e 2019, com milhares de unidades no mercado. É um modelo já descontinuado, substituído pela F8 Spider. Por isso, pode ser comprado livremente no mercado de seminovos sem qualquer controle por parte da Ferrari.
Além das Ferraris, o influenciador ostenta outros veículos de luxo, incluindo uma Mercedes-Benz G63, uma Lamborghini Urus e um Porsche. Sua trajetória começou no futebol e no comércio de réplicas de produtos de marca, mas se consolidou como influenciador digital.
Regras da Ferrari
Conversamos com Paulo Korn, consultor automotivo especializado em carros de luxo, para entender melhor a postura da Ferrari e suas restrições na venda e uso de seus veículos. Segundo ele, a marca tem total controle sobre quem pode comprar seus carros zero-quilômetro através de sua rede oficial de concessionárias.
"Isso não é feito de forma explícita, mas ocorre através das famosas 'filas de espera'. Não há uma ordem clara nem obrigação de informar a posição do comprador. A realidade é que, para algumas pessoas, a fila simplesmente nunca anda", explica Korn.
Quando o carro é seminovo ou adquirido fora da rede oficial, a montadora não tem controle sobre quem compra, mas pode agir caso entenda que o proprietário esteja usando o veículo de maneira prejudicial à sua imagem.
"Se a Ferrari entender que você explora o carro para autopromoção ou promoção comercial sem autorização, há grandes chances de receber uma notificação formal, o famoso 'Cease and Desist'", diz o consultor.
Histórico de restrições a famosos
A Ferrari tem um histórico rigoroso de controle sobre seus clientes e a forma como seus carros são usados. Outros famosos já passaram por situações semelhantes à de Chrys.
Segundo a sites internacionais, Justin Bieber foi banido pela Ferrari após personalizar seu modelo 458 Italia sem autorização e depois leiloá-lo, o que violou as regras da marca.
A família Kardashian também teria entrado na mira da montadora. Embora não tenha sido banida oficialmente, a Ferrari evita vender modelos exclusivos para os membros da família, como forma de "preservar sua imagem e valores".
Reportagem
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