Segundo a JAC, o carro foi um dos primeiros da marca a chegar no Brasil, antes mesmo de a montadora atuar no país. Ele rodou dezenas de milhares de quilômetros em testes feitos pela equipe de engenharia, o objetivo era avaliar os ajustes necessários para ajustá-lo para certificação para o mercado nacional.

Assim como os primeiros carros chineses que chegaram por aqui, ele tinha o interior bege e a suspensão com acerto bem mais macio do que somos acostumados.
O J3 vermelho não chegou a ser emplacado oficialmente e usava apenas identificação de fabricante, apesar de ter sido enterrado com uma placa simbólica "JAC-0003" - que, inclusive, já pertencia a outro veículo emplacado no Rio Grande do Sul. Antes de ser enterrado, o veículo passou por um processo de drenagem dos fluidos para evitar contaminação do meio ambiente. Também foram retirados o motor, o tanque de combustível e o câmbio.

Com o início da construção da fábrica, a JAC passou a se beneficiar de um programa do governo federal que oferecia desconto de 30% no IPI às montadoras que investirem na produção de automóveis no país. A questão é que o projeto, que seria finalizado em 2014, nunca passou da pedra fundamental. Em tese, o carro teria ficado "abandonado" dentro da caixa de concreto em que foi enterrado, mas não foi o que aconteceu.
A construção da fábrica foi adiada diversas vezes, até que a marca chinesa anunciou a desistência. Uma mudança na alíquota tributária de importação atrapalhou os planos da montadora no país e, em 2017, o Grupo SHC - do empresário Sérgio Habib, que controla a marca no país - acabou devolvendo o terreno.
Carro desapareceu misteriosamente

Após a devolução do terreno, o carro passou a ser um dos assuntos mais comentados quando se falava na fábrica que nunca chegou a ser construída. Todos queriam saber quando o modelo seria, de fato, desenterrado.
E isso aconteceria em 2018, quando o governo da Bahia reuniu alguns jornalistas para o que seria a "cerimônia" de desenterramento do carro. Na hora H, um mistério: no lugar do veículo havia apenas terra e lama.
Segundo a JAC, o modelo foi guardado em um depósito da Bahia. A especulação é que a retirada do J3 tenha acontecido pouco tempo antes da devolução do terreno, mas uma testemunha da coluna "Farol Econômico", do Correio da Bahia, contou uma história diferente.
Ao jornalista Donaldson Gomes, em 2018, um trabalhador do Polo de Camaçari garantiu que o carro passou apenas uma noite enterrado.
"No final da tarde do dia seguinte ao lançamento da pedra fundamental e à instalação da cápsula do tempo no terreno, funcionários da JAC foram vistos por todos os que passaram pela via retirando o veículo", disse à época.
*Com informações de matéria publicada em 19/03/2023