Coluna do Edu: "Pai, eu vi um Alfa..."

há 1 dia 1

Em meados dos anos 70, o ‘Eduzinho’ aqui já era um autêntico apaixonado por automóveis. Passava horas enfileirando a coleção de Matchbox pelo chão da sala de casa. Só brincava com isso. Respirava o tema. Veja a ilustração abaixo. Não se empolgue com os dotes paupérrimos do designer-mirim. Só note as (boas) referências:

Coluna do edu - 2 de abril de 2025

Foto de: Edu Pincigher

Coluna do edu - 2 de abril de 2025

As ruas de São Paulo nos anos 70 eram infestadas de Fusca, Variant, Brasília e demais VW a ar, além de Chevette, Corcel, um ou outro DKW e Aero Willys. E tinham os modelos de luxo, como Opala, Maverick, Dodge Dart e Galaxie, esses dois últimos um pouco mais raros. Mas mais difícil, ainda, era encontrar um Alfa Romeo 2300.

Aquela frente dos quatro faróis redondos, com o cuore sportivo no centro da grade, é mítica, na minha opinião, até hoje. Sabe aquela brincadeira estranha das crianças com o Fusca azul? Pois eu tinha algo parecido com o Edson. “Pai, eu vi um Alfa!”

Isso é tão entranhado na minha memória afetiva que, seguramente, acontece até hoje. E não só com o 2300, mas com uma fileira de outros modelos, que chegaram ao Brasil nos anos 90 e 2000: 164, 155, 145, 156, 156 Sportwagon, Spider, 166 etc. O Edson já partiu, mas basta que um deles passe por mim... “pai, eu vi um Alfa”. É inevitável.

Coluna do edu - 2 de abril de 2025

Foto de: Edu Pincigher

Coluna do edu - 2 de abril de 2025

Design, ronco de motor e sistema de direção

Já disse que o 8C 2900B é possivelmente o carro do período pré-guerra mais bonito já construído. 

Também já escrevi por aqui – se não disse, digo já – que o 156 é o sedã mais charmoso dos anos 90. Para mim, ele tem um design tão contemporâneo que passa tranquilamente por um carro atual.

Eu gosto de carro. Mas carro-carro. Eu gosto de Alfa Romeo.

Na última vez em que estive na Itália, no início de 2020, adivinha qual museu fui visitar? Ou qual carro aluguei para fazer um tour pela Europa? Sou suspeito para falar de Alfa Romeo.

Viajei por sete países. Rodei mais de 3 mil km. Média de consumo de 17,2 km/l de diesel, incluindo duas ou três subidas aos Alpes e centenas de km nas autobahnen alemãs (de pé embaixo).

Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio Verde 2017

Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio Verde 2017

O Giulia da minha viagem tinha motor turbodiesel de 190 cv, câmbio manual de 6 marchas (solte seu rojão; isso ainda existe) e tração traseira. Isso tudo além da melhor relação de multiplicação de caixa de direção que já inventaram nesse mundo. Notou o conjunto que define o "carro-carro"? E o que isso fica divertido nas estradinhas cheias de neve com 45 kgfm de torque e o controle de tração e estabilidade desabilitado??

Meus cumprimentos (peço até bênçãos) a engenheiros e marqueteiros remanescentes de um tempo em que quem gostava de carro-carro tinha seus desejos atendidos. E que mantiveram essa opção em linha.

Só que as vendas estão encolhendo

Infelizmente houve um preço a ser pago por esse line-up. As vendas caíram cerca de 20% em 2024 (60 mil unidades em todo o mundo) ante o ano anterior. Ausente do Brasil há algumas décadas, as únicas notícias que chegavam de Alfa Romeo por aqui eram que a marca, preocupada com quedas consecutivas nas vendas, corromperia sua essência de oferecer produtos aos apaixonados por carro-carro (desconsidere todos os meus elogios acima) e se concentraria em suves e crossovers daqui para frente. E detalhe: passaria a produzi-los em versões com propulsão 100% elétrica a partir de 2027.

Achei essas informações no site de um entusiasta francês por carros italianos, chamado “Italpassion”. Chequei em outras respeitadas fontes europeias de jornalismo automotivo e os prognósticos bateram. “Sinceramente, neste momento, não vejo futuro para um Giulietta, porque não há procura para um sedã compacto. Atualmente, o Giulietta é o Tonale”, teria afirmado o atual CEO da Alfa Romeo, Santo Ficili. O Tonale é suve médio com 2,636 m de entreeixos (adivinhe? Idêntico ao do nosso Jeep Compass...) e equipado com duas opções de propulsão híbrida: diesel+HEV de 160 cv e gasolina+plug-in de 280 cv.

Além do Tonale, a linha é hoje composta pelo suve compacto Junior, que tem entreeixos de 2,55 m (adivinhe? Idêntico ao do Jeep Avenger) e versões híbridas (136 cv ou 145 cv) ou totalmente elétricas (156 cv ou 280 cv) e pelo Stelvio, um utilitário-esportivo com porte estrategicamente posicionado entre BMW X1 e X3, que usa motores a diesel (160 cv ou 210 cv) e gasolina (280 cv), além da vitaminada versão Quadrifoglio (520 cv).

Coluna do Edu - 2 de abril de 2025

Foto de: Edu Pincigher

Coluna do Edu - 2 de abril de 2025

Mas e os benditos sedãs?

Sobrou só o Giulia mesmo. E por pouco tempo. Hoje ele dispõe exatamente das mesmas versões de motores do Stelvio. Mas é prevista a chegada de uma nova geração em 2026 que o transformaria – olha o pecado – em um “crossover cupê”, a adotar a mesma plataforma, chamada STLA Large. Ela foi criada para uma saraivada de futuros elétricos da Stellantis, a ser usada por Dodge, Jeep, Chrysler, Alfa Romeo e Maserati.

O Giulia de próxima geração seria um dos primeiros modelos exclusivamente elétricos da marca. Dizia-se que ele ofereceria cerca de 800 km de autonomia, com baterias de até 118 kWh. Isso o tornaria um dos modelos elétricos de maior alcance disponíveis.

(Pausa para limpar a lágrima que escorreu por aqui.)

Tá achando que é muito suve? Pois há um outro, chamado internamente de E-SUV, que virá acima de todos os demais para disputar mercado no segmento do Porsche Cayenne. E o E-SUV, óbvio, seria 100% elétrico.

Alfa Romeo 33 Stradale

Alfa Romeo 33 Stradale

Mas... boas notícias!

Esse cenário atual caminhava para a eletrificação completa da linha, de acordo com as mídias europeias. Até que eu esbarro em um artigo de um site norte-americano que dá um alento aos alfistas mais apaixonados. 

O CEO da Stellantis Europe, Jean-Philippe Imparato, disse ao site Auto Express que “se o ecossistema global atual não mudar, o Giulia será 100% elétrico. Se eu perceber que está mudando, não é um problema ajustar com motores alternativos”.

O Alfa Romeo 33 Stradale pode ter sido o primeiro sinal dessa mudança de atitude. Quando foi revelado, em 2023, acreditava-se que o 33 seria o último Alfa movido a combustão. Equipado com um V6 de 3 litros e 620 cv de potência ou um motor totalmente elétrico de 750 cv, adivinhe qual das opções a grande maioria dos compradores escolheu? 

“Filho, eu...”

Veja como esse mundo automotivo dá voltas... Eu, que gosto de carro-carro de verdade, como os que a Alfa produz (ou produzia), achava que iria morrer abraçado às lembranças de um sedã como o Giulia Quadrifoglio, com o ronco inconfundível daquele mítico V6 biturbo. Ufa. Pode ser que o V6 permaneça. Meno male.

Daqui a alguns anos, caso eu volte à Europa e consiga levar junto a família, quem sabe não consiga dizer... “Filho, eu (ou)vi um Alfa”. 

Será um suve ou um crossover, mas o ronco estará lá.

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