Stellantis está fazendo mais híbridos que nunca, e isso é um problema

há 22 horas 1

Ainda que não tenham chegado com força ao Brasil, o grupo Stellantis vem apostando forte em modelos eletrificados pelo mundo. Uma tendência que está criando os primeiros desequilíbrios industriais: estão sendo vendidos mais híbridos do que o esperado, mas é necessário produzir ainda mais.

Não apenas para atender às demandas do mercado, mas também para cumprir os limites de emissão em vigor em regiões onde as regras de emissão estão cada vez mais rígidas, como na Europa, para evitar multas pesadas. 

 Fiat Panda foi inspiração do Uno e deve gerar sucessor do Argo

Foto de: Motor1 Brasil

Fiat Panda da geração atual possível sistema híbrido-leve semelhante aos utilizados nos Pulse e Fastback nacionais

E um indicativo de como está sendo difícil equilibrar essa nova demanda veio do próprio grupo. Recentemente, Jean-Philippe Imparato, diretor de operações do grupo para o Velho Continente, admitiu que não era possível adquirir e produzir componentes suficientes para produzir tantos híbridos.

Paradas forçadas 

Conforme explicou o executivo francês, o maior foco nos motores híbridos criou, na verdade, gargalos no fornecimento. Em outubro, por exemplo, houve problemas no fornecimento de transmissões eDCT, as automatizadas de dupla embreagem utilizadas pelos trens de força híbridos de 48 Volts instalados em vários modelos, desde a nova geração do Fiat Panda até o Peugeot 5008.

O acúmulo de atrasos levou a uma queda na produção, com março registrando 20.000 carros a menos do que o estimado. E não, isso não tem nada a ver com demissões ou qualquer outra coisa, é tudo uma questão de cadeia de suprimentos.

<p>O Fiat Grande Panda é equipado com o híbrido leve 1.2 com 110 hp</p>

Foto de: Fiat

O Fiat Grande Panda é equipado com o híbrido leve 1.2 com 110 hp

<p>O Peugeot 5008 Hybrid é equipado com o motor 1.2 de 136 hp</p>

O Peugeot 5008 Hybrid é equipado com o motor 1.2 de 136 hp

"Os carros elétricos ainda não estão dando o retorno esperado, por isso, avançamos a toda velocidade nos híbridos", disse Imparato. "Só que, em dois meses, os fornecedores de pequeno, médio e grande porte não sabem como se adaptar." O diretor da Stellantis explicou que o grupo envia pedidos de compra com três meses de antecedência e que uma mudança de estratégia em andamento tem esses efeitos.

Jeep Avenger 4xe

Foto de: Jeep

Jeep Avenger 4xe ganhou sistema híbrido leve recentemente

Risco de multas

Por outro lado, conforme mencionado, essa era a única maneira de avançar. Porque as multas da União Europeia por exceder os limites de CO2 não são brincadeira, com o risco de penalidades de cerca de 1,7 bilhão de euros (cerca de R$ 10,5 bilhões). 'Dois anos como esse nos matariam', comentou Imparato.

Além disso, o sistema colaborativo de emissões de CO2 ("pool" de emissões) estabelecido entre a Stellantis e fabricantes como Toyota, Ford, Subaru, Mazda e Tesla—que vende créditos ambientais para ajudar as outras montadoras a reduzir suas médias de emissões—corre o risco de ser menos eficaz devido às dificuldades atuais enfrentadas pela própria Tesla, cujas vendas vêm caindo acentuadamente. Isso obriga a Stellantis e seus parceiros a se empenharem ainda mais na expansão dos veículos híbridos e elétricos.

Fiat Fastback Impetus MHEV

Foto de: Motor1.com

Sistema MHEV do Fiat Fastback e Pulse chegará às linhas da Peugeot e Citroën em breve

Por aqui, sistema da Fiat chegará em outras marcas

Em maio do ano passado, a Stellantis anunciou um investimento de R$ 32 bilhões no Brasil e na América do Sul, o maior da história na indústria automotiva da região. Um dos objetivos deste aporte é desenvolver a tecnologia Bio-Hybrid, que já entrou em produção em Betim (MG), onde também vem sendo feito o desenvolvimento técnico desses híbridos flex e que estreou nos SUVs Pulse e Fastback com motorização 1.0 T200. O grupo planeja ter 20% de sua gama composta por modelos eletrificados até 2030, cobrindo as marcas Fiat, Jeep, Citroën, Peugeot e Ram.

O sistema, do tipo BSG (Belt Starter Generator), ou seja, um híbrido-leve (MHEV), conta com um pequeno gerador elétrico - que também serve como alternador -  que é responsável por carregar uma pequena bateria auxiliar de menos de 1 kWh. O BSG auxilia os veículos em baixas rotações e arrancadas, quando o motor a combustão é mais exigido. Segundo o grupo, a economia de combustível com essa tecnologia pode variar de 10% a 20%.

Fiat Fastback Impetus MHEV

Foto de: Motor1.com

Fiat Fastback Impetus MHEV

Foto de: Motor1.com

A tecnologia deverá ser adotada em toda a linha de compactos do grupo que utilizam a motorização 1.0 T200, como os novos Peugeot 208 e 2008, a linha C-Cubed da Citroën - que conta com C3, Basalt e Aircross - e o futuro substituto dos modelos Argo e Mobi, que poderá ser baseado na nova geração do Grande Panda europeu. 

Peugeot 2008 GT - dianteira

Foto de: Motor1.com

Peugeot 2008 

Citroën Basalt Feel 1.0 2025

Foto de: Citroen UK

Citroën Basalt

Depois será a vez de os modelos feitos em Goiana (PE) com motor 1.3 T270 e câmbio automático serem convertidos em híbridos leves, mas com sistema de 48 Volts, um pouco mais robusto e capaz de tracionar as rodas, ainda que apenas em momentos pontuais. É o sistema já utilizado no Jeep Avenger e em algumas versões do Compass no exterior. Apesar disso, ainda não será um sistema híbrido pleno completo como o utilizado em alguns concorrentes, como GWM Haval H6 e Toyota Corolla Cross.

A ideia principal é sempre reduzir emissões para atender ao programa Proconve L8, que entrará em vigor em três etapas, ao longo de 2025, 2027 e 2029. As metas serão avaliadas com base na média de todos os veículos flex (automóveis ou comerciais leves) vendidos por uma mesma marca (ou grupo, como é o caso da Stellantis), e não mais por cada modelo isoladamente.

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