Nos últimos dias, o debate sobre o aumento do imposto de importação de veículos elétricos e híbridos no Brasil tem ganhado destaque, especialmente com o crescente estoque de veículos da montadora chinesa BYD. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) tem pressionado o governo para elevar a alíquota de importação de 18% para 35%, alegando que o atual cenário está prejudicando a indústria automotiva nacional. Essa medida ocorre em meio à chegada de grandes volumes de veículos da China, o que tem gerado preocupações quanto à competitividade do mercado local.
A Anfavea tem se mostrado preocupada com o grande número de veículos importados, especialmente os de origem chinesa, que estão sendo comercializados no Brasil. A associação destaca que o estoque de veículos no país já ultrapassa 40 mil unidades e que, em fevereiro de 2025, a BYD trouxe mais 5,5 mil veículos elétricos e híbridos, o que acirra a disputa no mercado. A entidade afirma que o Brasil está se tornando um destino atraente para as montadoras chinesas, devido à baixa alíquota de importação vigente.

Foto de: BYD
De acordo com a Anfavea, o Brasil é o único país com uma tarifa tão baixa, o que está tornando o mercado vulnerável à entrada de modelos estrangeiros, particularmente os de fabricantes chineses. Em comparação, países como os Estados Unidos, Canadá e a União Europeia impõem tarifas significativamente mais altas, chegando até 100% em alguns casos. A associação argumenta que o Brasil perdeu cerca de R$ 6 bilhões em arrecadação com a tarifa reduzida de 18% em 2024, além de ressaltar que a indústria local, que vem se recuperando de crises econômicas e da pandemia, está sendo prejudicada por esse aumento das importações.
A BYD, por sua vez, defende que sua operação no Brasil é voltada para a reindustrialização do setor automotivo, com a instalação de fábricas em diferentes regiões do país. A empresa anunciou investimentos de R$ 5,5 bilhões em uma nova planta em Camaçari, na Bahia, que está prevista para iniciar a produção em 2025, embora tenha sofrido seguidos atrasos. A montadora justifica a importação de veículos, que visa atender à crescente demanda do mercado até que a produção nacional esteja em operação.
A marca chinesa também destaca que a criação de novas fábricas no Brasil contribui para a geração de empregos e para o desenvolvimento do setor, com o objetivo de expandir a presença da marca no país. Em 2024, a empresa registrou um crescimento expressivo de 327,68% nas vendas de seus modelos, o que reforça sua estratégia de consolidar sua marca no mercado local antes de intensificar a produção nacional.
A Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) se posicionou contra o aumento do imposto de importação para veículos híbridos e elétricos. A entidade defende que a medida afetaria negativamente a competitividade do setor e prejudicaria os consumidores brasileiros, que já enfrentam desafios econômicos. Marcelo Godoy, presidente da Abeifa, ressaltou que o aumento da tarifa só foi acordado para veículos a combustão, e que qualquer alteração nos prazos para os modelos eletrificados afetaria as projeções das montadoras e a previsibilidade para o mercado.
A Abeifa também enfatizou que a tarifa reduzida de 18% para veículos elétricos e híbridos é uma medida importante para garantir o crescimento do mercado de carros eletrificados no Brasil, especialmente em um momento de transição energética. A associação argumenta que a subida das tarifas pode prejudicar o progresso do setor e o compromisso do Brasil com a sustentabilidade e inovação na indústria automotiva.
O aumento das importações de veículos elétricos e híbridos no Brasil tem gerado um debate acirrado entre os representantes da indústria automotiva e os importadores. Para a Anfavea, a recomposição do imposto de importação é essencial para evitar que o Brasil se torne um mercado dominado por montadoras estrangeiras, especialmente de origem chinesa. A entidade destaca que os investimentos anunciados no Brasil, com mais de R$ 180 bilhões em 2024, são cruciais para a recuperação do setor, que ainda lida com os efeitos das crises econômicas e da pandemia.
Por outro lado, a Abeifa defende que a manutenção da tarifa reduzida é fundamental para garantir a competitividade do mercado e proteger os consumidores, que poderiam ser impactados por um aumento de preços. A posição de ambas as associações reflete o desafio de equilibrar o incentivo à inovação e à sustentabilidade com a proteção da indústria nacional.
O debate sobre o aumento do imposto de importação de veículos elétricos e híbridos no Brasil reflete as visões divergentes do setor automotivo. A crescente presença da BYD e de outras montadoras chinesas tem gerado preocupações entre os fabricantes locais, que buscam proteger a indústria nacional. No entanto, não podemos ignorar as inovações que esses veículos estão trazendo ao mercado, forçando a indústria local a se readaptar e aprimorar seus produtos. A produção local das montadoras chinesas deve ser vista como um compromisso que trará benefícios no médio e longo prazo.