Agora é praticamente inegável: Elon Musk finalmente se tornou o maior problema da Tesla. O CEO, que um dia foi visto como visionário, agora parece determinado a afundar a empresa em seu próprio ego. Em 17 de dezembro, as ações da Tesla atingiram pico de US$ 479,86, impulsionadas pelo otimismo de Wall Street após a eleição de Donald Trump – um evento fortemente financiado pelo próprio Musk. Na época, acreditava-se que Trump ajudaria a Tesla a superar barreiras regulatórias, acelerando seus planos de carros autônomos. Mas o que era otimismo virou pesadelo.
Hoje, as ações fecharam em US$ 222,15, uma queda de 45% em três meses. Em valor de mercado, são US$ 800 bilhões evaporados – e grande parte desse tombo ocorreu somente nas duas semanas. Na última sexta-feira, 7 de março, a Tesla perdeu 15% do seu valor. Se você é um acionista, essa é uma tragédia. Se você é um crítico da Tesla, é apenas a concretização do óbvio: a arrogância de Musk tem um preço.
O colapso vem no rastro de protestos crescentes contra a marca de elétricos, conhecidos como Tesla Takeover. As manifestações têm ganhado força, e na semana passada atingiram um novo nível. Na França, uma concessionária foi incendiada em Toulouse, enquanto nos EUA, seis manifestantes foram presos em Nova York. Como sempre, Musk reagiu no X (ex-Twitter) da pior maneira possível: culpando George Soros, em mais uma teoria da conspiração sem fundamento.
A realidade é que a paciência do mercado com as excentricidades de Musk acabou. Agora, a confiança dos consumidores e investidores está sendo corroída. E não só a confiança: até os executivos da Tesla estão pulando fora. O CFO Vaibhav Taneja vendeu US$ 1,7 milhão em ações, enquanto o presidente do conselho, Robyn Denholm, se desfez de US$ 33 milhões. Até mesmo Kimbal Musk, irmão de Elon, está vendendo seus papéis desde fevereiro. Isso não é um sinal de força. É cheiro de naufrágio.

Foto de: Tesla
Enquanto isso, a Tesla também enfrenta dificuldades na Europa. As vendas estão despencando, e a China – mercado fundamental para a marca – pode não conseguir compensar a queda. O Model Y, antes celebrado como um sucesso, agora tem um tempo de espera de apenas duas a quatro semanas no site chinês da Tesla, sugerindo que a demanda já esfriou. E se seguir o caminho do Model 3 atualizado, esse declínio pode ser só o começo.
Tudo isso, no entanto, poderia ter sido evitado. A Tesla revolucionou a indústria automotiva, mas desperdiçou sua vantagem ao se perder em promessas vazias. Musk apostou todas as fichas em carros autônomos, mas o software segue falho. Em vez de investir em novos modelos ou na qualidade dos produtos, preferiu se transformar no garoto-propaganda das piores conspirações da internet.
O que antes era um império da inovação virou um playground de guerra cultural. A Tesla, outrora sinônimo de tecnologia de ponta, agora é uma marca polarizadora, rejeitada até mesmo por seus antigos admiradores. Sim, ainda é a fabricante de veículos elétricos mais vendida do mundo. Mas se continuar assim, é só uma questão de tempo até que esse título vá para as mãos de concorrentes mais focados em fazer carros – e menos em alimentar o ego de seu CEO.
O primeiro trimestre de 2025 pode ser o mais crucial da história da Tesla. A Cybertruck, carro mais importante até hoje, chegou ao mercado em meio ao caos. Mas, ao invés de ser o triunfo de uma marca que revolucionou o setor, há uma sensação de que esse lançamento pode ser mais um capítulo na derrocada da Tesla. E a culpa tem nome e sobrenome: Elon Musk.
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