Mais um fator de peso no caminho da inflação. O preço do milho vem registrando avanços expressivos neste mês, e o cereal é básico na produção de ração.
O indicador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) apontou que a saca foi a R$ 86,7 nesta terça-feira (25) na região de Campinas (SP).
Ao atingir esse valor, o preço do cereal acumula alta de 15,6% no mês e de 37,4% em relação ao valor do mesmo período do ano passado. A safrinha promete ser boa, mas o problema é que ela ainda está sendo semeada em algumas regiões. Em outras, só depois da colheita da soja.
Para os pesquisadores do Cepea, são vários os fatores de pressão no momento. Um deles são os baixos estoques do cereal no país. A relação estoque sobre o consumo estava em 2,5% no final de janeiro, um patamar nunca registrado antes, conforme os números da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
A baixa disponibilidade interna, devido a estoques menores, atraso na colheita de verão, vendedores indecisos e compradores ávidos pelo cereal, cria esse ambiente de preços em elevação.
Do lado externo, analistas do Itaú BBA afirmam que o preço do milho também está em alta na Bolsa de Chicago. Demanda maior e restrição na oferta global puxam os preços.
Os dados do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicam produção mundial de 1,21 bilhão de toneladas nesta safra, 1% a menos do que no período anterior.
Três importantes produtores estão na lista dos que produzem menos na safra 2024/25, em relação à anterior. O principal deles, os Estados Unidos, terá safra de 378 milhões de toneladas, abaixo dos 390 milhões de 2023/24.
A União Europeia produz 6% a menos, e a Ucrânia, invadida pela Rússia, terá uma safra 18% abaixo do que foi a anterior. China e Brasil, também importantes produtores mundiais, aumentam a produção.
Já a situação da Argentina continua indefinida, com estimativas que vão de 45 milhões a 50 milhões de toneladas, uma vez que o efeito do clima sobre o desempenho das lavouras ainda não está claro.
Os analistas do Itaú BBA afirmam que o desempenho da segunda safra no Brasil será fundamental para o abastecimento. Há uma preocupação, porém, com o plantio muito concentrado em poucas semanas. Qualquer problema climático mais sério provocará efeitos maiores sobre o volume produzido, devido a essa concentração. Um clima melhor nesse período, porém, poderá garantir safra maior.
O consumo do milho é crescente no Brasil. Neste ano, deverá chegar a 88 milhões de toneladas, 5% a mais do que no ano passado. Na avaliação do Itaú BBA, só o consumo do cereal para a produção de milho deverá somar 21,1 milhões de toneladas.
O de ração, outro segmento importante no uso do cereal, deverá somar 57 milhões de toneladas, 1% a mais, segundo os analistas do banco.
Ficou difícil A bancada ruralista disse com todas as letras que, a partir de agora, as negociações sobre Plano Safra é com o Ministério da Fazenda, e não com o da Agricultura.
Ficou difícil 2 "Agora entendo porque minha pasta chama Ministério da Fazenda. Todos os problemas da agricultura vêm para cá", dizia um ex-ministro da Fazenda.
Trump amigo A Câmara dos Deputados do Estados Unidos deverá cortar gastos de US$ 230 bilhões (R$ 1,33 trilhão) do dinheiro destinado à agropecuária do país. Os afetados, os produtores rurais, são os principias eleitores de Donald Trump.
Mudança de rumo Os preços do leite, que estavam com queda desde outubro do ano passado, poderão fechar o primeiro bimestre em alta. É o que mostra a pesquisa que ainda está sendo realizada no campo pelo Cepea.
Mudança de rumo 2 A captação de leite já é menor, e as indústrias promovem uma disputa muito grande pelo produto, segundo o Cepea. O leite é um dos produtos que vinham segurando a taxa de inflação.
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