Vaivém: EUA têm déficit de US$ 9 bilhões na balança do agro com o Brasil

há 17 horas 3

O agronegócio é um dos pontos de maior desequilíbrio na balança comercial entre Estados Unidos e Brasil. Os americanos colocaram US$ 940 milhões em produtos do agronegócio no mercado brasileiro no ano passado, apenas 0,5% das exportações deles no setor. Com isso, o Brasil é o 31° mercado mundial para os americanos.

Já quando se trata das importações americanas, o Brasil é o 4° maior fornecedor no setor do agronegócio. Em 2024, as exportações brasileiras subiram para o recorde de US$ 9,73 bilhões, 4% de tudo que os Estados Unidos importaram em produtos agrícolas e em outros itens relacionados à agropecuária.

Os olhares da equipe de Donald Trump estão muito voltados para a economia como um todo, sem uma avaliação específica do agro. Além disso, os Estados Unidos aumentaram a necessidade de abastecer o mercado interno com produtos externos, quando se trata de alimentos.

Os americanos vêm perdendo presença no mercado mundial do agronegócio para o Brasil. Brigas tarifárias no primeiro mandato de Trump, custo elevado de produção e problemas específicos em alguns setores, como na pecuária, fazem os americanos chegarem ao maior déficit comercial na balança comercial do agronegócio.

As estimativas mais recentes do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para este ano fiscal (outubro de 2024 a setembro de 2025) são que as exportações vão recuar para US$ 171 bilhões e as importações subirão para o recorde de US$ 220 bilhões. Se confirmados esses dados, o déficit atingirá o recorde de US$ 49 bilhões no período.

O Brasil seguramente não perderá mercado para os Estados Unidos com as novas tarifas, mas certamente o tarifaço terá impacto nas receitas dos exportadores e no bolso dos consumidores americanos. A grande dúvida do mercado nesta quinta-feira (3) era como essas tarifas seriam aplicadas. Há setores que já são bastante penalizados, e uma sobreposição de taxas torna as operações bastante complicadas. Alguns setores já entendem que o 10% será uma taxa extra além do que já é pago.

O setor de carne bovina, por exemplo, já paga 26,4% nas exportações da proteína para os americanos, e o de suco de laranja tem uma tarifa fixa elevada. O café não tem tarifa de entrada no mercado americano.

A demanda maior por produtos brasileiros passa por café, carne bovina e sucos, todos com importações superiores a US$ 1 bilhão, conforme estatísticas do governo dos Estados Unidos. Os americanos gastaram US$ 2,1 bilhões na compra de café no Brasil no ano passado, valor bem superior ao US$ 1,4 bilhão de 2023. As compras de carne bovina no Brasil subiram para o recorde de US$ 1,27 bilhão, e as de suco de frutas, para US$ 1,14 bilhão, sempre considerando números do governo americano.

Apesar da obsessão de Trump pelas novas tarifas, as negociações entre brasileiros e americanos devem chegar a um consenso entre as duas partes. A penalização desses produtos elevaria em muito a inflação nos Estados Unidos, o que vai contra a promessa de campanha do presidente

A discussão mais acalorada é a do etanol, devido à disparidade das taxas de importação colocada por cada país. O comércio atual, no entanto, ficou bastante reduzido. EUA e Brasil movimentaram 2,8 bilhões de litros em 2018, entre importações e exportações. No ano passado, foram 438 milhões.

Os Estados Unidos são importantes também para celulose e a madeira, As compras americanas no setor florestal atingiram US$ 1,5 bilhão em 2024.

Folha Mercado

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