Risco de queda de asteroide 2024 YR4 na Terra é o mais alto já registrado

há 1 mês 13

Astrônomos disseram nesta terça-feira (18) que o risco de o asteroide 2024 YR4 atingir a Terra em dezembro de 2032 subiu para 3,1%. O dado é o mais alto já registrado para uma rocha espacial.

A ameaça supera a que um dia representou Apophis, um asteroide muito maior —335 metros de diâmetro— descoberto em 2004. O risco de este último cair na Terra em 2029 chegou a 2,7% nos cálculos iniciais. Contudo, mais tarde essa probabilidade caiu para zero.

Embora o 2024 YR4 seja muito menor que Apophis, ele ainda seria capaz de causar uma tremenda devastação. Muito depende de onde o objeto entraria na atmosfera da Terra.

O 2024 YR4 não chegaria perto de dizimar um país, porém poderia deixar cicatrizes ou demolir uma cidade com um impacto direto. A possível trajetória do objeto tem tanto pontos no oceano quanto alguns pontos próximos de grandes cidades como Bogotá, na Colômbia, Lagos, na Nigéria, e Mumbai, na Índia.

A energia cinética de um asteroide é um indicador de quão destrutivo seria seu impacto. E, como os asteroides geralmente se movem à mesma velocidade —cerca de 60 mil km/h—, a variável chave é sua massa.

Por enquanto, os astrônomos dispõem somente de estimativas para a massa do 2024 YR4. "Não sabemos quão denso ou poroso ele é, então sua massa, e portanto a energia que liberaria se atingisse a superfície da Terra ou explodisse na atmosfera, é incerta", disse o físico Mark Boslough, do Laboratório Nacional de Los Alamos.

Em todos os casos, no entanto, quanto maior for, pior será, nas palavras de Gareth Collins, especialista em impacto de asteroides no Imperial College London.

Pequenos aumentos de tamanho se traduzem em saltos gigantescos no potencial destrutivo. A regra geral é que, se o raio de um asteroide dobrar, ele terá oito vezes mais energia cinética. Com isso, um asteroide com cem metros de diâmetro causará muito mais danos do que um de 40 metros.

A composição também é importante. Um asteroide feito principalmente de ferro, por exemplo, mergulharia mais profundamente na atmosfera e causaria um impacto mais prejudicial ao planeta. O 2024 YR4 tem estatisticamente mais chances de ser um asteroide de pedra, que é mais propenso a se fragmentar em pedaços menores conforme é aquecido durante sua descida atmosférica.

Mas mesmo a explosão de um objeto desse pode ser extremamente feroz.

Se o 2024 YR4 for rochoso e estiver no menor extremo das estimativas (40 metros), as chances de uma explosão no ar são altas, de acordo com Kathryn Kumamoto, chefe do programa de defesa planetária no Lawrence Livermore National Laboratory.

"O principal ponto de comparação que temos para um impacto de asteroide rochoso dessa magnitude é Tunguska", disse Kumamoto.

O evento de Tunguska de 1908 envolveu um asteroide —com tamanho semelhante ao do 2024 YR4-- que explodiu acima de uma região pouco povoada da Sibéria. O meteoro gerou uma onda de choque de aproximadamente 12 megatons, semelhante à de uma arma nuclear, e destruiu uma área de floresta pouco maior que o tamanho da cidade de São Paulo.

Uma rocha maior explodindo acima do oceano aberto, ou mesmo mais perto da costa, não seria particularmente preocupante. "Seria improvável causar um tsunami significativo", afirmou Lorien Wheeler, especialista no Asteroid Threat Assessment Project no Ames Research Center da Nasa, na Califórnia.

Já uma explosão acima de uma cidade traria mais riscos para humanos. Janelas explodiriam, produzindo sprays de vidro como tiros de espingarda, e os danos aos prédios seriam generalizados. Algumas lesões poderiam ser fatais.

O ângulo em que o asteroide entra na atmosfera também faz diferença. Se ele entrar em linha reta, pode chegar mais perto do solo antes de explodir e potencialmente causar mais destruição. A entrada em um ângulo mais gradual pode resultar em uma explosão a uma altitude muito mais alta.

Se o 2024 YR4 tiver cem metros de comprimento, seu impacto "poderia causar danos mais severos", afirmou Michael Aftosmis, especialista do Projeto de Avaliação de Ameaças de Asteroides.

"Um asteroide desse tipo 'tem mais chances de atravessar a atmosfera, especialmente se tivermos azar e o ângulo de entrada for íngreme', disse Kumamoto. "Uma parte poderia chegar à superfície da Terra relativamente intacta."

Um impacto num ponto remoto do oceano representaria muito menos risco, acrescentou Kumamoto --geraria ondas altas que rapidamente diminuiriam antes de chegar à terra. Uma queda ao lado de uma costa, no entanto, poderia resultar num tsunami capaz de inundar a terra próxima.

Caso essa versão maior do 2024 YR4 atinja o solo firme, poderia formar uma cratera talvez com 500 metros de diâmetro.

"O asteroide criaria uma explosão enorme", disse Boslough. E a onda de choque seria surpreendentemente poderosa. Edifícios de vários andares ao redor da cratera se curvariam, pontes se dobrariam, e carros, árvores e pessoas seriam lançados em todas as direções.

Boslough também citou o potencial de um "jato quente de vapor de asteroide que desceria até a superfície e incineraria tudo". Pessoas próximas ao epicentro muito provavelmente morreriam, ele disse. E pessoas a dezenas de quilômetros de distância ainda seriam atingidas por uma onda de choque trovejante e expansiva.

Os especialistas disseram que ainda é improvável que o 2024 YR4 atinja a Terra em 2032. Mas esse grupo de possíveis efeitos de um impacto é precisamente por que os defensores planetários estão levando esse asteroide a sério.

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