Recorde de emprego esconde dificuldade de jovens no mercado de trabalho

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Metade dos jovens tem ocupações de baixa qualificação

"Nós estamos em um mercado de trabalho que tem passado por profundas mudanças e a demanda por profissionais qualificados é imprescindível", explica Janaina Feijó, pesquisadora do Ibre/FGV e uma das autoras do estudo. "E os indivíduos mais jovens tendem a ter, em média, menos escolaridade e menos experiência", complementa.

Não à toa, os brasileiros entre 18 e 24 anos têm sido empurrados para postos de baixa qualificação e baixa remuneração. "Cerca de 50% deles estão em ocupações com esse tipo de característica", afirma Paulo Peruchetti, pesquisador que também assina a publicação do Ibre/FGV.

Aumentar a oferta de cursos técnicos, estimular o acesso ao ensino superior e aprimorar políticas de "matching" — conectando empresas e trabalhadores de modo a suprir demandas do mercado — são algumas das medidas apontadas para alavancar a empregabilidade desse público.

"A melhor política para o jovem é a aprendizagem", garante Paula Montagner, subsecretária de estatísticas e estudos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). "As tentativas de baratear a mão de obra não funcionam. O problema não é baratear, o problema é educar", responde, ao ser questionada sobre a eficácia de políticas para subvencionar a contratação de jovens testadas tanto no primeiro governo Lula como na gestão Bolsonaro, mas que não deram certo.

"A briga é para manter os meninos na escola"

Os dados do IBGE organizados pelo Ministério do Trabalho apontam para um importante recorte de gênero. Entre os jovens desempregados, 23% das mulheres não concluíram o ensino médio. Já entre os homens, esse índice sobe para 37%. "No Brasil, tem dez anos que a nossa briga é para manter os meninos na escola", resume Paula Montagner.

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