Quem precisa de machos? Fêmeas de tubarões têm filhotes sozinhas na Itália

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Um grupo de pesquisadores italianos diz ter registrado o primeiro nascimento por partenogênese —ou seja, sem fecundação— de um tubarão de uma espécie em risco de extinção, a Mustelus mustelus, comumente conhecida como cação-liso ou caneja.

"Esse estudo inclui o primeiro caso de partenogênese facultativa", com essa espécie de tubarão classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) como ameaçada de extinção, apontam os cientistas no estudo, publicado na última sexta-feira (26) no periódico Scientific Reports.

Pesquisadores de vários institutos especializados confirmaram a partenogênese em duas fêmeas de tubarão Mustelus mustelus, de 18 anos. As duas vivem desde 2010 em um enorme aquário na Sardenha.

"É notável que essa descoberta revele que a partenogênese pode ocorrer todos os anos nesses tubarões, alternando entre duas fêmeas, e exclui conclusivamente o armazenamento de esperma a longo prazo como causa", enfatizam os pesquisadores.

No total, houve três nascimentos, em 2020, 2021 e 2023, mas apenas um deles, o filhote de 2021, continua com vida.

O cação-liso, cujo tamanho médio fica entre 1,50 m e 2 m, está ameaçado principalmente pela pesca ilegal no Mediterrâneo e em outros mares quentes. Segundo as estimativas dos pesquisadores, a população da espécie pode diminuir em 50% nas próximas décadas.

A partenogênese, mais frequente entre os invertebrados que os vertebrados, ainda não foi observada em mamíferos.

Alguns répteis, tubarões e raias podem modificar a sua estratégia de reprodução adaptativa dependendo das circunstâncias do ambiente, de acordo com o estudo.

"Ainda que os mecanismos que impulsionem a partenogênese não estejam claros, acredita-se que a redução da população de machos seja um fator determinante", dizem os pesquisadores.

Aquários nos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Austrália documentaram esse fenômeno em outras espécies de tubarões nas duas últimas décadas.

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