Parlamentares do PSOL criticaram o fato de o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), não ter levado ao plenário da Casa o pedido de cassação do deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).
Em agosto, o Conselho de Ética da Casa aprovou o relatório que recomenda a cassação do deputado. O próximo passo era levar o tema para votação em plenário, que tem a palavra final e pode ou não seguir a recomendação do colegiado. Em abril, os deputados aprovaram a manutenção da prisão de Brazão.
Agora, deputados do PSOL dizem ser necessário cobrar que o sucessor de Lira dê encaminhamento ao processo.
O favorito para assumir a cadeira da presidência é o líder do Republicanos, Hugo Motta (PB), apoiado por Lira. Apesar disso, o PSOL anunciou que terá um candidato: o deputado Pastor Henrique Vieira (RJ).
Ao Painel, o psolista diz que levará o tema ao plenário da Câmara caso seja eleito. "Lira ficou jogando o tempo inteiro para promover maioria em torno do nome indicado por ele. Ele faz acenos constantes à extrema-direita e dentro desse contexto pode estar a explicação de não ter levado ao plenário da Casa a cassação do Chiquinho Brazão", diz.
Em conversas reservadas, Lira minimiza a questão dizendo que temas sensíveis como esse não podem tramitar de forma acelerada. Na avaliação do parlamentar, esse assunto deverá ser resolvido no próximo ano.
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) classifica como "inação de Lira" não ter pautado o processo de cassação e afirma que isso é "péssimo para a ética na política e para a própria imagem da Casa". Ele diz o partido cobrará do próximo presidente que o caso Brazão seja debatido.
"É muito absurdo constatar que Arthur Lira terminou o ano legislativo sem colocar em votação a cassação do Brazão. Foram seis anos de espera por justiça e o parlamento não foi capaz de ter celeridade para responsabilização do mandante", diz Talíria Petrone (PSOL-RJ).
A deputada Sâmia Bonfim diz que Brazão segue recebendo salário da Câmara, tem estrutura de gabinete e equipe "em pleno funcionamento", mesmo depois de ter sido preso.
"Isso mostra que Lira prioriza aliados ao respeito pela memória Marielle e sua por justiça. Esperamos que o próximo presidente rompa com esse ciclo de desrespeito e paute a cassação de Brazão", afirma Sâmia.
A presidente nacional da legenda, Paula Coradi diz que o parlamento precisa dar uma resposta "a esse crime político e hediondo". "O parlamento não pode tolerar em suas fileiras o mandante de um crime tão bárbaro."