A defesa de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro que foi denunciado na suposta trama golpista, requisitou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, acesso a dados de geolocalização do aparelho celular que ele usava em 2022.
Com isso, ele quer provar que não esteve em reuniões no Palácio da Alvorada no final daquele ano, nas quais teria sido discutida a chamada "minuta do golpe".
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, Martins esteve com Bolsonaro no Palácio em cinco ocasiões entre novembro e dezembro daquele ano. Na época, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia sido eleito, mas não tinha tomado posse.
Na petição enviada a Moraes, a defesa do ex-assessor aponta inconsistências na denúncia. Um exemplo é o fato de um registro da entrada dele na portaria do Alvorada em 19 de novembro ter sido usado como prova de que ele esteve no local no dia anterior.
"Isso revela não apenas descuido com os fatos, mas até mesmo com a lógica mais elementar", dizem os advogados.
A petição da defesa afirma ter registros da empresa Uber que mostrariam que Martins não esteve nas reuniões apontadas.
Para que isso seja corroborado, no entanto, Martins quer acesso aos dados de seu celular, que mostrariam onde ele se encontrava,
"O cruzamento entre os dados do Uber e os dados de geolocalização formam um conjunto importante de informações, contradizendo diretamente as alegações da acusação", diz a peça da defesa.
"A análise desses elementos permite constatar que a denúncia não é um retrato da realidade e, portanto, não pode ser recebida", acrescentam os advogados.
Martins, que ficou preso durante seis meses no ano passado, diz ter tentado obter os dados junto à operadora TIM, mas seu pedido foi recusado pela empresa de telefonia em razão de decisão do STF.
A defesa diz ainda que Moraes teve acesso aos dados de telefonia no final de 2023, que provariam que ele não saiu do país ao fim do governo de Jair Bolsonaro.
A suposta viagem do ex-assessor aos EUA foi usada como argumento para manter sua prisão no ano passado.
A análise da denúncia contra Martins e outros cinco acusados pela Primeira Turma do STF está marcada para 22 de abril, uma semana antes do inicialmente planejado.