ONG põe Lua na lista de locais em risco devido à corrida espacial

há 2 meses 16

Por anos, a ONG World Monuments Fund tem buscado chamar a atenção e recursos para locais de patrimônio cultural em perigo, incluindo Machu Picchu, no Peru, templos no Camboja e a cidade antiga de Taiz, no Iêmen.

Mas a lista deste ano de locais em risco vai muito além: até a Lua.

"A Lua parece tão distante do nosso alcance", disse Bénédicte de Montlaur, presidente e diretora-executiva da organização. "Porém, com os humanos se aventurando cada vez mais no espaço, achamos que é a hora certa de nos organizarmos."

Preocupado que a nova corrida espacial possa agravar os detritos espaciais e expandir o turismo em órbita e além, o grupo nomeou a Lua como 1 dos 25 locais ameaçados em sua lista de vigilância de monumentos mundiais de 2025.

Os outros locais na relação, ameaçados por desafios como mudanças climáticas, turismo, conflitos e desastres naturais, incluem a Faixa de Gaza, um edifício histórico danificado na capital ucraniana Kiev e litorais em erosão no Quênia e nos Estados Unidos.

Com um número crescente de pessoas ricas indo para o espaço e mais governos buscando voos espaciais tripulados, o grupo adverte que mais de 90 locais importantes no satélite natural da Terra poderiam ser prejudicados. Alguns pesquisadores estão preocupados, por exemplo, com o local onde o astronauta Neil Armstrong, da missão Apolo 11, pisou pela primeira vez.

As proteções ao patrimônio cultural são tipicamente decididas de forma individual pelos países, o que torna a tarefa de cuidar de locais como a Lua mais difícil.

Desde 2020, os EUA e outros 51 países assinaram o Acordo Artemis, que delineou as normas esperadas no espaço sideral. As regras incluíam um apelo para preservar o patrimônio espacial, incluindo "locais de pouso robóticos, artefatos, espaçonaves e outras evidências de atividade em corpos celestes".

Um acordo separado das Nações Unidas previa a proteção de locais lunares, mas houve pouco progresso em fazer com que países-chave o assinassem.

"A Lua não pertence a ninguém", disse De Montlaur. "É um símbolo de esperança e do futuro."

Por quase 30 anos, o World Monuments Fund tem recebido indicações de especialistas em patrimônio de todo o mundo para sua lista de observação de locais em perigo. A lista é uma ferramenta educacional e promocional que serve aos outros esforços sem fins lucrativos para preservar o patrimônio cultural.

A divisão do International Council on Monuments and Sites (conselho internacional de monumentos e sítios) dedicada ao patrimônio aeroespacial indicou a Lua para a lista de observação sem fins lucrativos. Gai Jorayev, presidente desse grupo, disse que os membros queriam ver um gerenciamento sustentável devido ao "grande número de artefatos humanos em sua superfície".

Além dos orbitadores espalhados pela superfície da Lua que expressam conquistas científicas, existem artefatos da cultura humana. Os astronautas da Apollo 11 deixaram um ramo de oliveira dourado para simbolizar a paz, enquanto um foguete da SpaceX lançou no ano passado um módulo que carregava 125 miniaturas esculpidas pelo artista Jeff Koons para a superfície lunar.

Embora muitos especialistas concordem que o patrimônio lunar precisa de melhores proteções, alguns especialistas questionaram as alegações do World Monuments Fund de que o patrimônio espacial enfrenta riscos imediatos.

"É um pouco drástico dizer que a Lua inteira precisa ser protegida do turismo e da ciência", afirmou Michelle Hanlon, advogada que ajudou a estabelecer uma organização sem fins lucrativos chamada For All Moonkind para atuar a favor de um arcabouço internacional de proteção do patrimônio lunar.

A advogada disse que muitas expedições científicas estão indo para locais distantes de pousos anteriores, mas que naves espaciais turísticas podem interferir em locais históricos sem regulamentações melhores em vigor. Ela acrescentou que outro perigo poderia vir de satélites inativos colidindo com a superfície lunar. "A Lua não tem uma atmosfera que os queimará."

No World Monuments Fund, os funcionários esperam um futuro onde o turismo espacial seja mais comum. "Não está tão longe o dia em que haverá visitas recreativas à Lua", disse Jonathan Bell, vice-presidente de programas. "Colocar a Lua na lista de observação é uma oportunidade maravilhosa para advogar pela necessidade e valor da preservação."

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