O que o compromisso de Trump de fincar a bandeira dos EUA em Marte significa

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Durante seu discurso de posse na última segunda-feira (20), Donald Trump prometeu novamente enviar astronautas americanos a Marte.

Sentado próximo a ele, Elon Musk, que fundou a SpaceX na esperança de que um dia ela possa enviar colonos a Marte, irradiava entusiasmo. O gigantesco foguete Starship, que a empresa do bilionário está desenvolvendo, é destinado a essa tarefa.

Mas o presidente deixou vários detalhes não ditos, incluindo o que a nova iniciativa significaria para o programa lunar existente da Nasa, quando os astronautas chegariam a Marte e quais outros programas da agência americana poderiam ser cortados para financiá-lo.

O que Trump disse sobre Marte

Trump mencionou pousar em Marte antes. Durante um comício de campanha em Reading, Pensilvânia, em 9 de outubro, ele prometeu que isso ocorreria durante seu mandato. "Nós vamos liderar o mundo no espaço e alcançar Marte antes do final do meu mandato", afirmou.

Ele não especificou se pretendia pousar astronautas americanos em Marte até 20 de janeiro de 2029, seu último dia na Casa Branca, ou se apenas enviar um protótipo da espaçonave que levaria astronautas algum dia mais adiante no futuro seria suficiente.

Na segunda-feira, ele disse que astronautas americanos "plantariam as estrelas e listras no planeta Marte", mas não mencionou quando.

Musk também não tem sido tímido em fazer suas próprias proclamações. Em setembro, ele afirmou que a SpaceX lançaria cinco Starships para Marte em 2026, embora sem ninguém a bordo, para testar sua capacidade de sobreviver à reentrada através da fina atmosfera marciana e chegar à superfície inteiras.

Terra e Marte passam relativamente perto um do outro a cada 26 meses; a próxima vez que estarão em alinhamento será no final de 2026. Se esses pousadores tiverem sucesso, as primeiras pessoas viajariam na próxima oportunidade, em 2028, segundo Musk.

Assim, a linha do tempo de Musk é possível, pelo menos em termos de dinâmica orbital. Muitas outras perguntas, porém, ainda precisam ser respondidas.

Trump não citou a Lua, mesmo que o foco do programa espacial durante seu primeiro mandato fosse o retorno de astronautas ao satélite como parte do programa Artemis, da Nasa. Já há sinais de que a nova administração planeja mudanças nele.

Uma pista envolve quem está liderando a Nasa no momento.

Durante a troca de administrações presidenciais, os principais nomeados políticos da Nasa geralmente renunciam e um funcionário de carreira, o administrador associado, assume até que um novo administrador seja confirmado pelo Senado. Trump indicou Jared Isaacman, um bilionário que voou em duas missões privadas de astronautas em foguetes da SpaceX e que é próximo de Musk.

Na segunda-feira, Trump disse que Janet Petro, diretora do Kennedy Space Center da Nasa na Flórida, atuaria como administradora interina. Ao fazer isso, ele ignorou James Free, o terceiro oficial mais importante da Nasa.

Free tem sido um defensor do programa Artemis atual.

"Jim Free deixou claro que o Artemis era perfeito e não precisava ser alterado", disse James Muncy, consultor republicano de política espacial que não estava envolvido na transição da Nasa. "O que é desqualificante para um presidente que quer mudar as coisas."

Partes cruciais do programa Artemis atual incluem o SLS, um foguete poderoso, mas caro, da Nasa, e a cápsula Orion, na qual os astronautas viajariam da Terra para a Lua.

Muitos na indústria espacial esperam que a administração Trump cancele o SLS e possivelmente também a Orion.

No Natal, Musk escreveu em sua plataforma social X: "A arquitetura Artemis é extremamente ineficiente, pois é um programa de maximização de empregos, não um programa de maximização de resultados. Algo totalmente novo é necessário".

No dia seguinte, Musk, que se encontrou repetidamente com Trump, pareceu pedir para pular a Lua completamente: "Não, vamos direto para Marte. A Lua é uma distração."

Musk minimizou a Lua, mesmo que a SpaceX tenha um contrato de US$ 4 bilhões para construir uma versão da espaçonave Starship para levar astronautas da órbita lunar até a superfície lunar.

O cancelamento do Artemis também cancelaria o contrato da SpaceX.

"Veremos se não há dinheiro para a Lua no orçamento quando for divulgado", disse Muncy, que afirmou preferir que a Nasa continue o programa lunar usando alternativas comerciais ao SLS.

Os astronautas americanos podem chegar a Marte?

Musk tem uma longa história de oferecer cronogramas irreais e excessivamente otimistas para o desenvolvimento de seus foguetes. Em 2016, ele previu que as primeiras missões não tripuladas da SpaceX a Marte seriam lançadas em 2022 e que os astronautas estariam a caminho neste ano.

A SpaceX fez avanços tecnológicos, contudo ainda está longe do necessário para cumprir uma viagem a Marte. Alguns dos obstáculos mais significativos incluem intervalos rápidos entre os lançamentos e reabastecimento das espaçonaves Starships —o veículo inteiro, que inclui o propulsor Super Heavy, também se chama Starship— enquanto estão em órbita.

O sistema de suporte à vida nas versões das Starships destinadas a Marte também teria que funcionar de forma confiável —removendo dióxido de carbono do ar, reciclando água e realizando outras tarefas para manter a nave habitável— por mais de um ano.

Se os astronautas pousassem com sucesso em Marte, a viagem de volta exigiria mais tecnologias ainda não comprovadas.

Para começar, a Starship teria que ser reabastecida com metano e oxigênio.

A tecnologia para extrair esses gases do ar marciano ainda é em grande parte hipotética. A SpaceX poderia enviar Starships adicionais com os propelentes para a viagem de volta, entretanto isso adicionaria complexidade.

Depois, há a questão de quem pagaria por tudo isso. Esses voos para Marte ocorreriam em um momento em que a Nasa estaria ocupada com suas missões lunares Artemis, presumivelmente com a SpaceX cumprindo suas obrigações contratuais de construir um módulo lunar.

Pelo menos no papel, assim poderia fazer sentido para Musk que as missões lunares Artemis fossem canceladas e que a Nasa o pagasse para mirar em Marte.

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