IA até lê, mas não entende notícias, mostra pesquisa: 'mundo caótico'

há 2 semanas 5

O problema que a gente pode ter é começar a perder esse rastreamento do que é real e do que não é. Cada vez mais a gente vai ter que trabalhar esse senso crítico de que é preciso checar as fontes
Diogo Cortiz

A BBC News submeteu 100 notícias contidas em seu site aos chatbots ChatGPT (OpenAI), Gemini (Google), Perplexity e Copilot (Microsoft). Pediu que eles resumissem cada uma delas.

Cerca de 51% das respostas foram insatisfatórias porque os jornalistas da organização encontraram problemas significativos nelas. Além disso, 19% dos resultados das inteligências artificiais incluíram declarações, números e datas erradas.

Nos testes, Copilot e Gemini tiveram mais problemas do que o ChatGPT e o Perplexity. A BBC não libera o conteúdo nesses chatbots, mas abriu uma exceção para fazer o teste em dezembro do ano passado.

Isso pode acontecer por uma série de motivos, um deles é a busca na web. Um desafio, quando estamos falando desse tipo de IA, é o mesmo que os buscadores têm, que é como dar relevância aos conteúdos
Diogo Cortiz

As alucinações são outro problema da IA, que faz chatbots entregarem respostas com trechos sem qualquer base na realidade.

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Não é uma coisa intencional da IA criar fake news, é uma deficiência da própria tecnologia
Diogo Cortiz

Deborah Turness, CEO da BBC News, afirmou que a distorção da IA pode minar a confiança das pessoas em fatos e informações verificadas.

O preço dos benefícios extraordinários da IA não deve ser um mundo onde as pessoas que buscam respostas recebem conteúdo distorcido e defeituoso que se apresenta como fato. No que pode parecer um mundo caótico, certamente não pode ser certo que os consumidores que buscam clareza sejam recebidos com ainda mais confusão
Deborah Turness, CEO da BBC News

Novas fontes de informação

A chegada da IA à busca online, presentes no Google e em plataformas como ChatGPT e Copilot, tem mudado os hábitos das pessoas na hora de pesquisar informações na internet. Atualmente, contudo, os resultados são gerados a partir de sites e links considerados confiáveis. O cenário vai ser outro quando as IAs incluírem entre suas fontes informações geradas por influenciadores nas redes sociais.

Parece que vai ser um momento que as pessoas vão ficar rendidas de ambos os lados. Alguns influenciadores não têm o comprometimento de checagem de informação ou de trazer informações confiáveis e essas IAs serão abastecidas com informações pra lá e de desconfiáveis
Helton Simões Gomes

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O Grok, inteligência artificial do X (ex-Twitter), é exemplo do que pode ser esse futuro. O serviço usa conteúdo da própria rede social ao elaborar respostas. Como o X é repleto de desinformação, memes e posts com discurso de ódio, conteúdo com esse teor acaba refletido no que o Grok fala.

Europa vira 3ª força da IA e novo foco pode complicar o Brasil: 'vai ser engolido'

"Os Estados Unidos inovam, a China copia e a Europa regula". Até pouco tempo, a frase resumia a dinâmica da tecnologia no mundo. Mas a situação agora é outra.

A União Europeia quer mudar essa imagem e já questiona quanto a ênfase na regulação tem impactado a inovação no bloco.

Queremos que a Europa seja um dos principais continentes de IA. E isso significa abraçar um modo de vida onde a IA esteja em todo lugar. A IA pode nos ajudar a impulsionar nossa competitividade, proteger nossa segurança, reforçar a saúde pública e tornar o acesso ao conhecimento e à informação mais democrático
Ursula Von Der Leyen, presidente da comissão europeia

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Rivais improváveis e R$ 50 bi: Brasil quer surfar era da IA com data center

A indústria brasileira de tecnologia considera que o Brasil está diante de uma janela única de oportunidade. Não se trata de inteligência artificial, mas, sim, de uma infraestrutura de que a tecnologia da vez depende muito. São os data centers.

O governo brasileiro prepara um plano para a área, que pode fazer do país um hub de dados, segundo a Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais). Nas contas da organização, os investimentos em data centers apenas para suprir a demanda local chegariam a R$ 50 bilhões.

Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam os motivos que fazem a indústria brasileira de tecnologia elevar a expectativa sobre a possibilidades de o Brasil virar um exportador de processamento de dados.

DEU TILT

Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no YouTube do UOL e nas plataformas de áudio. Assista ao episódio da semana completo.

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