Lideranças governistas avaliam que a tímida melhora na economia e o arrefecimento de crises políticas internas são os principais motivos para o presidente Lula (PT) estancar sua queda de popularidade e ter um leve aumento nos índices de aprovação, como mostra a mais recente pesquisa Datafolha.
A base do governo no Congresso, porém, avalia que a gestão Lula ainda não conseguiu acertar a comunicação e vê futuro incerto na economia com as novas tarifas anunciadas pelo presidente do Estados Unidos, Donald Trump, para produtos comprados de outros países.
Por isso, essas lideranças dizem ser necessário fazer novos ajustes no governo e observar questões econômicas para que a melhora na aprovação se torne uma tendência e ultrapasse a reprovação nos próximos meses.
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), diz que o resultado já era esperado após o anúncio de bons resultados econômicos, como o crescimento de 3,4% do PIB e o recorde de abertura de 431,9 mil vagas de emprego em fevereiro.
"Esses avanços ficaram abafados por três meses por uma estratégia de contrainformação, que distorceu fatos e inundou as redes com fake news para ocultar as conquistas reais da gestão", afirma o líder petista.
Lindbergh diz que o governo "começou assumir o protagonismo em pautar suas realizações" e que a oposição está mais preocupada em "bajular potências estrangeiras".
Apesar do discurso do líder do PT, o presidente manifestou a senadores na última quarta-feira (2), durante encontro na residência oficial da Presidência do Senado, a dificuldade do governo em se comunicar com a população.
"O presidente disse, como todos nós bem sabemos, que a gente ainda não acertou na narrativa. Ela ainda não foi suficiente para que as pessoas possam saber o que o governo está fazendo", diz o vice-líder do governo no Senado Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).
O senador avalia que a participação de Lula em entregas do Minha Casa, Minha Vida e o início do programa Pé-de-Meia são ações que fazem a população mais carente sentir o impacto positivo de políticas públicas —e, assim, são capazes de reverter a desaprovação.
Mas é preciso ajustar a comunicação. "Pode ser que essas próprias pessoas são beneficiadas estejam sendo tomadas por um outro tipo de de informação deixem que sua mente seja inundada com aquilo que a oposição com competência tem feito", diz.
"Nada justifica —em condições normais— que um governo que tem resultados de entregas não tenha uma razoável para boa aceitação. Está havendo alguma coisa e a gente precisa saber o que é: se é só a narrativa que não mais convence, se é só a comunicação", completa Veneziano.
O líder do PSD no Senado, senador Otto Alencar (BA), avalia que o governo Lula viveu uma tempestade no início do ano, com a inflação e os juros altos. Somou-se a isso a ofensiva da oposição contra o monitoramento da Receita Federal nas transações do Pix.
Para ele, era natural que o resultado da popularidade do governo tivesse uma leve melhora, em especial pelos índices econômicos e o enfoque da oposição na anistia.
"Essa questão da anistia está ajudando a dividir o bolsonarismo. O [Ronaldo] Caiado lançou candidatura, o [Pablo] Marçal é candidato [...]. Isso tirou a coesão da oposição, e no início do ano aquela situação do Pix foi crucial para a queda [de aprovação do Lula]", diz.
Otto destaca que um ponto de preocupação do governo é o impacto econômico das medidas anunciadas por Trump. "Há uma desorganização do comércio internacional, ninguém sabe como é que vão acontecer as coisas", afirma.
O resultado do Datafolha também foi comemorado pelo líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE). "Com muito trabalho e entregas de tudo que está planejado, vamos virar o jogo", diz.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), destaca que a reprovação do governo Lula segue em patamares mais elevados que a aprovação. "Não sei quando esse governo vai tocar no fundo do poço", afirma.