De janeiro a 31 de março de 2025, o estado de São Paulo confirmou 42 casos e 24 mortes por febre amarela. Isso significa que a doença mata seis em cada dez infectados.
A arbovirose voltou a chamar a atenção das autoridades estaduais de saúde. No primeiro trimestre de cada ano a partir de 2007, os números mais expressivos de casos e mortes ocorreram em 2009, 2017, 2018, 2019 e 2025.
De toda a série histórica, 2018 apresentou os maiores registros: 517 casos e 164 óbitos no estado paulista.
Segundo Regiane de Paula, responsável pela Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, a febre amarela tem ciclos, o que explica anos com índices altos e outros mais brandos. Isso acontece devido às mudanças climáticas, urbanização, baixa cobertura vacinal e à sazonalidade. Dezembro a maio é o período de maior transmissão em decorrência das chuvas.
Atualmente, 81,16% dos paulistas estão vacinados contra a febre amarela. Em 2022, eram 64,40%. A meta é alcançar 95% da população.
"No início da epidemia, que foi de 2017 ao final de 2019, nós tínhamos 425 municípios que eram áreas de recomendação de vacina, principalmente os do noroeste do estado. E tínhamos a população da região metropolitana de São Paulo, a capital, sem recomendação de vacina para febre amarela", explica. Quando a transmissão avançou, "havia uma dificuldade de chegar com a vacinação na população mais rápido do que o vírus. Implantamos uma estratégia diferenciada, que é dos corredores ecológicos, fazendo o caminho desse vírus".
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Hoje, todo o estado de São Paulo é endêmico para febre amarela. O ciclo da arbovirose é silvestre, com transmissão por meio dos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. O mosquito pica o macaco infectado e depois o homem.
Ano (jan. a mar.) | Casos | Mortes |
2025 | 42 | 24 |
2024 | 1 | 0 |
2023 | 1 | 1 |
2022 | 0 | 0 |
2021 | 0 | 0 |
2020 | 1 | 0 |
2019 | 62 | 11 |
2018 | 517 | 164 |
2017 | 41 | 14 |
2016 | 1 | 1 |
2015 | 1 | 1 |
2014 | 1 | 0 |
2013 | 0 | 0 |
2012 | 0 | 0 |
2011 | 0 | 0 |
2010 | 0 | 0 |
2009 | 26 | 10 |
2008 | 8 | 1 |
2007 | 0 | 0 |
Os macacos não transmitem a febre amarela, são vítimas dela. Se você encontrar um macaco morto, chame a vigilância em saúde do município ou a zoonoses para recolher o animal e fazer os exames.
A febre amarela urbana —que tem como vetor o Aedes aegypti— não é registrada no Brasil desde 1942.
Letalidade alta
Os sintomas da febre amarela são parecidos com os de algumas doenças, como a dengue, por exemplo. Eles podem aparecer em cerca de três dias. O início é uma febre súbita. A pessoa também sente calafrios, dor de cabeça e no corpo, náuseas, vômitos, fadiga e fraqueza.
A letalidade é alta. Na febre amarela, o vírus pode invadir o fígado, se replicar, destruir as células hepáticas e causar uma hepatite fulminante que leva à morte.
No agravamento do quadro pode ocorrer febre alta, hemorragia, pele e olhos amarelados (icterícia), choque e insuficiência de múltiplos órgãos.
Vacinação
Quem planeja se deslocar para locais com registro de transmissão de febre amarela ou para áreas rurais e de mata deve se vacinar ao menos dez dias antes da viagem.
Para crianças menores de cinco anos, o imunizante é aplicado em duas doses: aos nove meses e aos quatro anos.
Caso a pessoa tenha tomado apenas uma dose da vacina antes de completar cinco anos, deve receber uma dose adicional, independentemente da idade que tenha quando procurar o serviço de vacinação.
A dose zero é aplicada entre seis e oito meses de idade apenas em crianças que residem ou que viajarão para áreas com circulação confirmada do vírus.
Para o restante da população (até 59 anos), a vacina é oferecida em dose única, com validade por toda a vida, segundo recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 2017.
Pessoas acima de 60 anos devem passar por uma avaliação médica antes de receber a vacina.
Quem recebeu a dose fracionada em 2018 deve procurar uma unidade de saúde para revacinação.
O imunizante está disponível em todas as UBS (Unidades Básicas de Saúde) do estado.