Dólar tem leve alta em dia de anúncio de tarifas recíprocas por Trump e Ibovespa fica perto da estabilidade

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J.SOUZA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Dólar

SP - MERCADO/DÓLAR/FECHAMENTO - ECONOMIA - Notas de Dólar junto ao Real e gráfico da B3. O real segue em baixa frente o dólar no mercado à vista, acompanhando o sinal positivo da divisa americana frente outras moedas emergentes. Há preocupações renovadas sobre o impacto econômico das tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump e as commodities recuam também. Em 2 de abril entram em vigor as tarifas recíprocas americanas. 21/03/2025 - Foto: J.SOUZA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

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O dólar terminou a sessão desta quarta-feira (2), em leve alta, mais ainda abaixo da linha de R$ 5,70, com investidores optando por uma postura mais defensiva em meio à expectativa pelo anúncio das tarifas recíprocas prometidas e anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Diante das incertezas, houve um movimento de redução de posições em divisas latino-americanas apesar do dia positivo para commodities, com valorização do petróleo e do minério de ferro. O real, que costuma sofrer mais em dia de ajustes de carteiras, teve o melhor desempenho entre pares da região. Peso chileno e colombiano amargaram as piores perdas.

Nas primeiras horas de negócios, o dólar até ensaiou dar continuidade ao movimento de queda da terça, quando fechou abaixo de R$ 5,70 pela primeira vez desde 20 de março, e registrou mínima a R$ 5,6610. A moeda americana trocou de sinal ainda pela manhã na esteira de dados positivos de emprego e indústria nos EUA.

Com máxima a R$ 5,7150 o dólar à vista encerrou o pregão em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,6967. Na semana, a divisa acumula queda de 1,13%. No ano, recua 7,82%. Com o mercado spot já fechado, o presidente dos EUA anunciou imposição de tarifa geral de 10% sobre todas as importações dos EUA e de 25% para automóveis. O plano do governo americano é combinar a tarifa universal com taxação país a país. No caso do Brasil, a tarifa será a mínima de 10%. Com isso, o dólar futuro para maio se firmou em queda, operando abaixo de R$ 5,69.

Em alta na comparação com as divisas latino-americanas, o dólar perdeu força em relação ao euro e a libra, o que fez o índice DXY cair cerca de 0,40% e furar o piso dos 104,000 pontos, com mínima aos 103,686 pontos. Já as taxas dos Treasuries subiram, com o retorno da T-note de 10 anos voltando a tocar 4,20%.

Por aqui, o Banco Central informou à tarde que o fluxo cambial total em março, até dia 28, está negativo em US$ 8,850 bilhões, em razão da saída líquida de US$ 12,528 bilhões pelo canal financeiro. No ano, o saldo total é negativo em US$ US$ 16,397 bilhões, apesar da entrada líquida de US$ 6,459 bilhões via comércio exterior.

Dados da B3 divulgados nesta quarta mostram que o aperto líquido dos estrangeiros na bolsa doméstica foi positivo em R$ 3,118 bilhões na B3 em março, levando o saldo no acumulado do primeiro trimestre para R$ 10,642 bilhões. É a melhor marca para o período dos últimos três anos.

Ibovespa

O Ibovespa operou em torno do zero a zero na maior parte da sessão, à espera do anúncio, previsto para as 17 horas, nos ajustes de fechamento, das tarifas recíprocas prometidas pelo presidente Donald Trump no que batizou como o “Dia da Libertação” dos Estados Unidos, “o dia de renascimento da indústria americana”, conforme as palavras iniciais de Trump ao anunciar as medidas, em que confirmou a imposição da tarifa de 25% para os carros importados.

Segundo ele, já depois do fechamento da Bolsa, as tarifas não serão “totalmente” recíprocas, mas serão duras com alguns países – e haverá uma tarifa mínima geral, de 10%, que atingirá o Brasil.

Pouco antes, no fechamento, o índice da B3 mostrava leve ganho de 0,03%, aos 131.190,34 pontos, tendo oscilado entre mínima de 130.392,60 e máxima de 131.423,84 pontos, com abertura na sessão a 131.150,68 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 22,3 bilhões nesta quarta-feira. Na semana, o Ibovespa recua 0,54% e, no mês, sobe 0,71% no agregado de apenas duas sessões. No ano, avança 9,07%.

Apesar da cautela que prevaleceu na sessão, à espera da definição do assunto nesse fim de tarde, alguns nomes do setor bancário conseguiram se descolar, em alta, com destaque para Santander (Unit +1,69%) e Bradesco PN (+0,24%). Vale ON fechou em baixa (-0,45%), após ter lutado pela estabilidade em direção ao fechamento. Os dois papéis de Petrobras também cederam terreno, com a ON em baixa de 0,51% e a PN, de 0,27%. Na ponta perdedora do Ibovespa, CSN (-5,17%), Cogna (-3,24%), Brava (-2,78%) e CSN Mineração (-2,45%). No lado oposto, Pão de Açúcar (+15,84%), Magazine Luiza (+7,08%), Vamos (+7,00%) e Localiza (+3,85%).

O Federal Register, equivalente ao Diário Oficial nos EUA, deve publicar amanhã o documento assinado pelo presidente Donald Trump que prevê a imposição de tarifas de 25% sobre a importação de automóveis e peças automotivas, sob a alegação de riscos à segurança nacional. As novas taxas entram em vigor amanhã para veículos e em 3 de maio para peças. Segundo o texto, a tarifa de 25% será aplicada a veículos como sedãs, SUVs, picapes e vans, além de componentes como motores, transmissões e sistemas elétricos.

*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Carolina Ferreira

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