“Brasil e EUA são os países com o pior fiscal do mundo”, diz Stuhlberger

há 19 horas 2

Brasil e Estados Unidos têm ao menos um fator negativo em comum: com déficits nominais entre 7% e 10% do PIB, são os países com o “pior fiscal do mundo”. A avaliação é de Luís Stuhlberger, CIO da prestigiada gestora Verde Asset. “[São] os dois países do mundo com pior [situação] fiscal”, disse o gestor, o que gera um cenário de estagflação.

Falando em evento realizado nesta quinta-feira (3) para lançamento de um novo fundo da casa, o gestor disse que as recentes medidas tarifárias anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, vão contribuir para efeitos negativos no PIB norte-americano até o final do ano que vem, com impacto de 1,5% no pico, e 0,5% mais à frente. Segundo ele, a incerteza das medidas também deve impulsionar as despesas de capital (Capex) das empresas na ordem de 0,5%.

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É “altamente questionável” a linha de pensamento de Trump de “deixar que tudo de ruim que aconteça no primeiro e segundo ano de mandato, para a partir do terceiro ano ter os benefícios dessa política”, disse Stuhlberger.

“Quem é que vai gastar um dinheirão pensando num negócio [nos EUA] que tem que um Capex que precisa gerar retorno em 20, 30 ou 40 anos? Se daqui a quatro anos entra outro presidente e muda tudo isso?”, falou.

Stulhberger ressalta que os EUA não querem depender da China, já que uma possível retaliação chinesa poderia envolver interromper a venda de qualquer produto para os norte-americanos. “Se [a China] faz isso, a indústria americana para”, atestou o gestor..

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Para ele, o cenário atual exige cautela, e Europa e China ainda devem esperar antes de retaliar fortemente. No entanto, se houver um impacto muito grande no PIB desses países, disse, retaliações maiores não estão descartadas.

Stuhlberger também avalia que o Brasil foi “muito beneficiado” pelos impactos do tarifaço de Trump. “O Brasil saiu muito beneficiado dessa história, porque como a gente tem uma balança comercial equilibrada para os EUA, conta dá zero de tarifa. Quem dá zero, tem o mínimo de 10%”, afirmou. “Resta saber se o Brasil vai saber aproveitar essa oportunidade”, acrescentou.

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Fundo Verde ganha versão de previdência

O gestor falou durante evento realizado em São Paulo para lançamento de uma nova versão do Fundo Verde de previdência, em parceria com a Icatu. Voltado para investidores qualificados (que têm mais de R$ 1 milhão aplicados), o fundo Icatu Verde Master Prev 60 chega em um novo momento regulatório da indústria de previdência, com maior flexibilidade de limites de alocação em ativos e novas regras para escolha de regime tributário.

Atualmente, a Verde possui mais de R$ 17 bilhões sob gestão, com mais de um quarto desse montante alocado em previdência. O produto é direcionado aos investidores que buscam retornos acima do CDI no longo prazo com níveis de volatilidade entre 5% a 10%.

“Ao traduzir uma estratégia consagrada de gestão para o ambiente de previdência, oferecemos aos participantes qualificados acesso a um produto diferenciado, que combina a expertise da Verde com a solidez e inúmeros benefícios da previdência privada”, diz afirma Henrique Diniz, diretor de Produtos de Previdência da Icatu.

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O fundo tem 2% de taxa de administração, 20% de performance sobre o que superar o CDI, e liquidez de 46 dias.

(com Reuters)

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