China pode ser primeira com amostras de Marte, admite Nasa

há 2 meses 16

A Nasa apresentou no começo deste ano a estratégia que está adotando para tentar salvar e acelerar a missão de retorno de amostras de Marte. Mas o que mais chamou a atenção foi o administrador da agência (já de saída com a troca do governo), Bill Nelson, admitir que a China tende a chegar lá primeiro.

A agência espacial americana no momento estuda duas alternativas para trazer à Terra as rochas colhidas atualmente pelo rover Perseverance na cratera marciana Jezero. A primeira delas envolveria tecnologias já estabelecidas, como um módulo de pouso com um foguete embutido que seria levado à superfície com um guindaste voador –tecnologia desenvolvida pelo JPL (Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa) e usada para pousar os rovers Curiosity e Perseverance em Marte.

A segunda, por sua vez, exploraria o uso de um módulo de pouso pesado comercialmente fornecido –uma forma obtusa de descrever o Starship, veículo que a empresa SpaceX atualmente desenvolve para o retorno americano à Lua, mas que de fato foi projetado para ir a Marte, ou no limite uma versão adaptada do Blue Moon, módulo de pouso em desenvolvimento pela Blue Origin.

A agência seguirá desenvolvendo as duas arquiteturas até ter de decidir por uma delas, em meados de 2026. A primeira opção, segundo suas estimativas, custaria entre US$ 6,6 bilhões e US$ 7,7 bilhões. Já a segunda ficaria entre US$ 5,8 bilhões e US$ 7,1 bilhões. Já é melhor do que a estratégia original para a missão, agora descartada, que custaria estimados US$ 11 bilhões.

O problema é que, seja qual for a escolha, as amostras seriam recolhidas em 2031 por um orbitador desenvolvido pela ESA (Agência Espacial Europeia), para a viagem de volta à Terra, onde elas não chegariam antes de 2035.

Os chineses, por sua vez, trabalham em uma missão de retorno de amostras muito mais simples que a desenvolvida por americanos e europeus, em que a mesma espaçonave desce, colhe as amostras e sobe à órbita marciana, para acoplar-se a um orbitador, lançado separadamente, que as trará de volta à Terra –similar ao esquema adotado para as amostras lunares colhidas pelas missões Chang'e 5 e 6, mas com dois lançamentos em vez de um.

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O plano é lançá-la em 2028 e ter as amostras de volta em 2031 –muito antes da Nasa. Diante disso, só restou a Bill Nelson desqualificar o esforço chinês. "Eles vão ter uma missão de ‘pegar e partir’", disse. "Isso não dá a visão abrangente para a comunidade científica. Então você não pode comparar as duas missões."

A maior ambição no retorno das amostras, de ambos os lados, é encontrar evidências de vida passada ou presente no planeta vermelho. Independentemente da abrangência ou do custo da missão, quem fizer isso primeiro levará todos os louros. O futuro administrador da Nasa indicado por Donald Trump, Jared Isaacman, prometeu "nunca se acomodar no segundo lugar". Resta saber se ele fará algo para mudar esse quadro no que diz respeito à coleta de amostras marcianas.

Esta coluna é publicada às segundas-feiras na versão impressa, em Ciência.

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