Canadenses reagem a tarifas de Trump: veja vídeos

há 19 horas 2

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou, nesta quarta-feira (2), tarifas que considera recíprocas sobre produtos comprados de outros países. O Canadá não foi citado no tabelão de Trump, mas já recebeu uma taxação de até 25% sobre diversos produtos.

Após o anúncio, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que Trump preservou "vários elementos importantes" do relacionamento comercial entre o Canadá e os Estados Unidos.

"No entanto, as tarifas sobre o fentanil ainda permanecem, assim como as tarifas para aço e alumínio. A partir desta noite, as tarifas sobre automóveis entrarão em vigor, e os EUA sinalizaram que haverá tarifas adicionais em setores chamados estratégicos, como farmacêuticos, madeira e semicondutores."

O político ainda diz que considera as medidas negativas tanto para a economia do Canadá quanto para a dos EUA. "Vamos combater essas tarifas com contramedidas. Vamos proteger nossos trabalhadores e construir a economia mais forte do G7. Em uma crise, é importante unir-se e é essencial agir com propósito e força", afirmou na quarta, após os anúncios.

Folha Mercado

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Em 27 de março, Mark Carney disse que a antiga relação do país com os EUA 'acabou', e prometeu que haverá uma renegociação ampla do acordo comercial entre os países.

E na terça (1º), na cidade de Winnipeg, o primeiro-ministro reforçou que vai implementar medidas retaliatórias às ações de Trump.

"Como deixei claro para o presidente Trump em nossa ligação na semana passada, eu rejeitarei todas as tentativas de enfraquecer o Canadá, todas as tentativas de nos desgastar, de nos quebrar para que a América possa nos dominar."

OUTDOORS DO CANADÁ NOS EUA

Em protesto às tarifas, mensagens canadenses foram vistas em outdoors dos Estados Unidos, especialmente nas regiões mais conservadoras, como Ohio e Georgia.

A placa anuncia, em letras garrafais, "tarifas são um imposto na sua conta de supermercado", e é alegadamente assinada como "paga pelo governo do Canadá".

CANADENSES BOICOTAM EUA

Vídeos publicados nas redes sociais também mostram cidadãos canadenses que buscam boicotar produtos estadunidenses. Um deles tem um consumidor andando pelas lojas americanas Walmart, vazias desde o início da guerra tarifária.

Em outro vídeo, a cliente de um mercado local da província de Nova Brunswick mostra a diferença entre as prateleiras de salgadinhos canadenses e americanas. As nacionais estão vazias, já compradas, e as da marca estadunidense Lay's estão cheias, mesmo com preços menores.

Já a influenciadora canadense Soph Hu publicou um vídeo em adesão ao movimento "Shop Canadian" (compre canadense). Ela mostra ao público quais marcas importadas ela está evitando e como verificar quais produtos são realmente feitos no Canadá.

Uma das principais medidas de Trump é a de novas tarifas automotivas. Trata-se de um imposto de 25% sobre carros e peças estrangeiras, que pode acrescentar de US$ 10 mil a US$ 20 mil (R$ 57 mil a R$ 114 mil) aos preços dos veículos em solo americano.

Um funcionário de uma concessionária, apesar de ser fã de times esportivos americanos, afirma em entrevista à CBS News que está boicotando produtos estadunidenses. "Muitos outros canadenses também estão, porque somos fortes, somos resilientes e vamos superar isso."

ESPECIALISTAS SE PREOCUPAM COM GUERRA TARIFÁRIA

As tarifas de Trump sobre o Canadá enfrentam idas e vindas. No dia 10 de março, o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, impôs uma sobretaxa de 25% na energia elétrica que a província exporta para os estados americanos de Nova York, Michigan e Minnesota.

Mas Trump devolveu com uma ameaça de dobrar (de 25% a 50%) a tarifa cobrada para produtos com aço e alumínio importados do Canadá, e ambos os países voltaram atrás.

O professor associado da Carleton University, Ian Lee, em vídeo publicado pelo jornal de Toronto CP24, explicou que esse vaivém causa desconfiança tanto do consumidor quanto do empresário canadense.

"Esses números estão indo para o sul. Estão despencando em ambos os lados. É esmagadoramente negativo. Isso está nos avisando que a economia está em declínio e podemos entrar em uma recessão", diz o especialista.

Ian Lee ainda diz que tarifas retaliatórias só tornam a vida ainda mais inacessível no Canadá. "Queremos fazer algo para reagir contra Donald Trump, mas, você sabe, se machucar e bater a cabeça contra a parede não é o caminho a seguir."

CANADENSES ESTÃO FRUSTRADOS, MAS RESPONSIVOS

Em uma entrevista à CNN, o primeiro-ministro da província canadense de Terra Nova e Labrador, Andrew Furey, diz que os canadenses ficam confusos, irritados e chateados com a rodada de tarifas.

"Vai ser uma situação de perda/perda. Vemos como isso será incrivelmente punitivo para os consumidores de ambos os lados da fronteira. Então, os canadenses estão frustrados, estão preocupados, mas serão responsivos."

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