Alckmin: Fomos incluídos na tarifa menor, mas não achamos justo isso

há 16 horas 2

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta quinta-feira, 3, que apesar de o Brasil ter sido atingido com a menor alíquota, de 10%, no “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a medida é ainda ruim e injusta. Ele elogiou a aprovação do projeto de lei (PL) da Reciprocidade pelo Congresso, mas disse que o governo não pretende usar essa legislação.

“Não pretendemos usá-la, o que queremos fazer é diálogo e negociação”, disse em entrevista ao Blog do Magno. O PL da reciprocidade aprovado pelo Congresso estabelece critérios para que o Brasil responda a “medidas unilaterais” adotadas por países ou blocos econômicos que afetem a competitividade internacional do país.

Alckmin afirmou que o Brasil não considera justa a medida anunciada pelos EUA. Na semana que vem, segundo ele, haverá uma reunião para negociações entre as equipes técnicas. “Dos 10 produtos que mais compramos dos Estados Unidos, em oito a alíquota de importação é zero. O Brasil não é problema. Por isso fomos incluídos na tarifa menor, mas não achamos justo isso”, disse.

Ele disse que o Brasil vai tentar aperfeiçoar e ampliar oportunidades de investimentos recíprocos e de complementaridade na cadeia econômica com os Estados Unidos. “Comércio exterior é positivo. Se eu sou mais competitivo numa área, vendo para você. Se você é mais competitivo, vende pra mim. Ganha o conjunto da sociedade. Complementaridade na cadeia econômica. Você faz uma peça, o outro faz outra, o outro complementa, você monta. Esse é um bom caminho”, explicou.

O vice-presidente avaliou ainda que a decisão unilateral dos EUA não é boa para o comércio, já que cria insegurança e imprevisibilidade, além de diminuir investimentos. Ele afirmou que o Brasil ficará atento a desvios de mercado e critérios para qualquer alteração de comércio exterior. Por outro lado, Alckmin avaliou que o “tarifaço” vai acelerar o acordo entre Mercosul e União Europeia (UE).

Alckmin disse ainda que a tentativa dos EUA de atrair empresas é uma “coisa de meio século atrás”. “Ele (Trump) está tentando atrair de volta empresas para os Estado Unidos, só que isso é uma coisa de meio século atrás, quando você tinha política de substituir importações. Vou substituir importação para produzir aqui, então eu faço protecionismo. Mas o mundo é outro. Mas a gente tem que respeitar a decisão de outros países e proteger e defender o comércio brasileiro. Então buscar mercados”, comentou.

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