Walter Porto: Novo festival promove a literatura decolonial sob direção de Elisa Lucinda

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Um novo festival literário, a Festa da Palavra, vai aportar pela primeira vez entre os dias 21 e 24 de maio em Itaúnas, bem ao norte do Espírito Santo, com uma particularidade: tem tanto interesse na palavra escrita quanto na falada.

É que o evento, que já teve um "test drive" virtual lá em 2021, durante a pandemia, quer oferecer palco às literaturas decoloniais, com raízes na negritude e nos povos originários. São culturas que têm sua base na oralidade, e isso não escapa à programação pensada pela curadoria.

"Será uma grande festa que propõe ler a vida", diz a atriz e escritora capixaba Elisa Lucinda, que assina a direção artística do evento e é responsável pela ideia de realizar um festival literário à moda da paratiense Flip no seu estado natal.

Itaúnas, cidade paradisíaca encravada entre dunas, mata e litoral a menos de dez quilômetros da divisa com a Bahia, era o refúgio onde Elisa ficava reclusa para escrever. O festival, segundo ela, funciona também como um jeito de retribuir à comunidade —e seduzir novos leitores.

"Haverá leituras dramáticas para apresentar ao público as obras dos autores", diz a curadora mineira Guiomar de Grammont, que comanda o Fórum das Letras em sua Ouro Preto natal e foi responsável por programar a homenagem ao Brasil no Salão do Livro de Paris em 2015. "A ideia é que seja uma aula de literatura viva, algo que não costuma ter nas escolas."

A programação gratuita acontecerá sobretudo na praça principal da cidade, trazendo autores como Itamar Vieira Junior, Ailton Krenak, Eliana Alves Cruz, Kiusam de Oliveira e a cubana Teresa Cárdenas. Escritores locais também serão destacados nos palcos, em um Espírito Santo que costuma se ver alijado de agendas literárias desse tipo.

"Quando eu era criança, não conhecia nenhum escritor", diz Elisa Lucinda, filha célebre do estado, que estará ela mesma no programa lançando o caprichado "Diário do Vento" pela editora Malê. "Por muitos anos, eu frequentei festas literárias em que era a única negra", lembra a poeta de 67 anos.

Hoje, quando o mercado já é outro, a Festa da Palavra nasce afinada a uma contemporaneidade que, segundo ela frisa, tem menos a ver com estratégia política do que com a urgência de ouvir vozes preciosas que se perderam pelo tempo.

ANDARILHOS Já o novo festival Poesia no Centro, que acontece de 16 a 18 de maio em São Paulo, vai organizar um circuito de encontros e atividades em endereços da região central que incluem livrarias de rua e espaços diversos como o Museu Judaico e o Museu da Língua Portuguesa. Haverá, por exemplo, uma oficina no Sesc Consolação para elaborar uma adaptação ao teatro de "Asma", de Adelaide Ivánova, e um roteiro a pé, partindo da Livraria Eiffel, para celebrar os 50 anos do "Poema Sujo" de Ferreira Gullar.

ESCRIVANINHA O novo selo Inglesa, que acaba de lançar sua edição da peça "Freshwater", de Virginia Woolf em paralelo à que saiu pela editora Nós, guarda boas novidades para os próximos meses. Com curadoria de Nara Vidal e focado em autoras anglófonas traduzidas por mulheres, o selo publica em junho uma coletânea de contos de Edith Wharton, do romance "A Época da Inocência" e, em setembro, lança as cartas de viagem de Mary Wollstonecraft —as traduções são de Vidal e de Paula Carvalho, nesta ordem.

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