'Vale este': troca de emails expõe estratégia de fraude nas Americanas

há 8 meses 29

Com relação à carta de circularização enviada em 2017 (referente a 2016), a Americanas pediu sua substituição, excluindo as operações de risco sacado, o que foi negado pelo Itaú. A Americanas enviou novo pedido, listando as operações que queria que constassem da carta, sem que na lista constasse o risco sacado. Em resposta, o banco enviou a carta, mas anexou a ela a versão original, que listava todas as operações de risco sacado.

Ainda em 2017, o convênio foi rescindido, e foi previsto no produto de 'contas a pagar' a possibilidade de os fornecedores da Americanas anteciparem seus créditos junto ao banco. Nesse momento, os saldos deixaram de ser reportados nas cartas de circularização, por não se referirem a operações contratadas diretamente pela empresa. Ainda assim, o Itaú manteve alertas aos auditores de que essas operações existiam. (...).

Por fim, o Itaú esclarece que a responsabilidade pela elaboração das demonstrações financeiras é exclusiva da administração da empresa, sendo as cartas de circularização apenas instrumentos para confirmação das informações fornecidas por ela."

O Santander respondeu que "repudia veementemente qualquer insinuação contrária à lisura de sua relação com a Americanas, eventualmente feita por pessoas responsáveis pelas irregularidades ocorridas em sua administração e das quais o Banco também é vítima. A instituição sempre informou integralmente os saldos das operações da Americanas no Sistema Central de Risco do Banco Central, que constitui uma entre as possíveis fontes de auditagem, além das cartas de circularização. Fato relevante publicado pela própria empresa em 13 de junho de 2023 relata que 'as demonstrações financeiras da Companhia vinham sendo fraudadas pela diretoria anterior da Americanas'. Ou seja, o documento comprova que a responsabilidade pelas 'inconsistências contábeis' é exclusiva da empresa, por intermédio de sua antiga diretoria".

O banco não respondeu às perguntas da reportagem sobre o relatório e o email da auditoria KPMG.

O banco ABC Brasil disse que não comenta.

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