'Tesla está em colapso e pode ser que não se recupere': vendas e preços de ações da montadora despencam ainda mais

há 17 horas 2

As vendas de carros da Tesla, empresa chefiada por Elon Musk, despencaram para o menor nível dos últimos três anos.

A fabricante de veículos elétricos entregou quase 337 mil unidades nos primeiros três meses de 2025 —uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano passado.

Após a divulgação dos baixos números de vendas, as ações da empresa recuaram no início do pregão de quarta-feira (2).

Os carros da companhia enfrentam uma competição cada vez maior da empresa chinesa BYD, mas especialistas acreditam que o papel controverso de Musk na administração Donald Trump também tem uma influência nesse fenômeno.

A empresa atribuiu a queda nas vendas à transição para uma nova versão de seu carro mais popular.

No entanto, alguns analistas apontam o dedo para o próprio Musk.

"Esses números são péssimos", escreveu no X (antigo Twitter) Ross Gerber, um dos primeiros investidores da Tesla, do grupo Gerber Kawasaki Wealth and Investment Management.

"A Tesla está em colapso e pode ser que não se recupere", acrescentou ele, que já foi um apoiador de Musk, mas recentemente pediu que o conselho da empresa removesse o bilionário do cargo de CEO.

Folha Mercado

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A 'QUEDA DA TESLA'

O ativismo político de Musk gerou uma onda de protestos e boicotes ao redor do mundo.

Ele atualmente lidera a iniciativa do Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) do presidente Donald Trump, criada com o objetivo de cortar gastos e reduzir o volume de servidores federais.

Na quarta-feira (2), o site Politico relatou que Trump teria dito a pessoas de seu círculo íntimo que Musk se afastaria do governo nas próximas semanas.

Logo após a publicação da notícia, o preço das ações da Tesla voltou a subir.

A Casa Branca, no entanto, refutou a reportagem, classificando-a como "lixo".

Por ser considerado um funcionário especial do governo, por lei Musk só pode servir no governo por 130 dias durante o ano, o que significaria que ele teria de deixar o posto até meados de junho.

O chefe da Tesla é o homem mais rico do mundo e contribuiu com mais de US$ 250 milhões (R$ 1,4 bilhões) para ajudar Trump a ser eleito nas eleições de novembro de 2024.

Nas últimas semanas, ele investiu mais dinheiro em uma corrida para a Suprema Corte de Wisconsin, ao apoiar o ex-procurador-geral republicano Brad Schimel —que acabou derrotado na terça-feira (1).


A reação contra Musk incluiu protestos em concessionárias da Tesla nos Estados Unidos e na Europa.

Veículos da empresa também foram vandalizados —e Trump chegou a dizer que o governo acusaria pessoas que atacassem carros da montadora de "terrorismo doméstico".

O gerenciamento de Musk sobre seus negócios, incluindo a Tesla, recebeu uma série de questionamentos.

Em uma entrevista recente, ele admitiu que administra seus empreendimentos "com grande dificuldade".

"Francamente, não acredito que estou aqui fazendo isso [em referência ao seu trabalho na atual administração Trump]", acrescentou ele.

As ações da Tesla perderam mais de um quarto de seu valor desde o início deste ano, segundo os índices registrados na quarta-feira.

"Não vamos olhar para esses números com falso otimismo... Eles representam um desastre", avalia o analista Dan Ives, da empresa de serviços financeiros Wedbush, em nota divulgada na quarta-feira.

"Quanto maior o envolvimento político [de Musk] com a Doge, mais a marca sofre. Não há discussão sobre isso", pontuou ele.

A Tesla não respondeu aos pedidos de comentários da BBC, mas declarou em um documento protocolado na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA que os números divulgados recentemente "representam apenas duas medidas" do desempenho da empresa e "não devem ser considerados como um indicador de resultados financeiros trimestrais".

Esses resultados mais detalhados serão divulgados no dia 22 de abril em um relatório financeiro completo com dados do trimestre.

Eles "dependerão de uma variedade de fatores, como preço médio de venda, custos, movimentos cambiais, entre outros", detalhou a Tesla.

O texto também observa que a empresa suspendeu temporariamente a produção de veículos utilitários esportivos do chamado Model Y a partir de janeiro.

Após a divulgação dos números na quarta-feira, Randi Weingarten, presidente da Federação Americana de Professores —um dos sindicatos trabalhistas mais poderosos dos EUA— escreveu a dezenas de fundos de pensão públicos sobre a situação da Tesla.

Afirmou que os últimos números de vendas da empresa estavam "se tornando abismais", instou os fundos de pensão a analisarem de perto as participações que possuem na empresa e questionou o que gestores financeiros estão fazendo para "proteger ativos de aposentadoria".

"Essas quedas parecem ser, em parte, motivados pelo fato de Musk gastar seu tempo em atividades políticas, algumas das quais parecem estar em conflito com a marca e os interesses comerciais da Tesla", afirmou Weingarten.

A Controladoria da cidade de Nova York (New York City Comptroller) já anunciou que estuda processar a Tesla em nome dos enormes fundos de pensão ligados ao órgão.

Na terça-feira, a instituição divulgou uma perda de mais de US$ 300 milhões (R$1,6 bilhões) em três meses por causa da queda do preço das ações da empresa.

"Elon Musk anda tão distraído que está levando a Tesla para um precipício financeiro", afirmou em comunicado o atual controlador da cidade, Brad Lander.

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