
Após definição da Justiça brasileira para bloquear o Rumble no Brasil na última sexta-feira (21), a empresa de mídia entrou no domingo (23) com pedido de liminar nos Estados Unidos para que a ação impetrada pelo ministro Alexandre de Moraes e outras ordens sejam declaradas ilegais.
O que aconteceu
O Rumble se apresenta como uma alternativa ao Youtube. Fundada em 2013 por Chris Pavlovski, a rede social reúne conteúdo diverso e permite que criadores de conteúdo monetizem seus vídeos com anúncios e outras receitas.
Moderação na rede é mais branda. O Rumble aplica uma maior permissibilidade para os seus produtores de conteúdo, e bloqueia apenas conteúdos relacionados a direitos autorais e crimes explícitos, mas deixando margem interpretativa para vídeos envolvendo suposto discurso de ódio e desinformação. Recentemente, por exemplo, o dono da rede republicou no X uma postagem do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, dizendo que "insultar alguém não é crime".
Rumble ganhou destaque em 2021 após grande repercussão entre grupos conservadores dos Estados Unidos após invasão do capitólio. Diferente de outras redes, os criadores de conteúdo do Rumble apoiadores de Donald Trump não enfrentaram resistência para publicação de vídeos. Em junho do mesmo ano, o atual presidente dos EUA criou sua conta na rede e acabou assinando um contrato de parceria com o Rumble.
Popular entre criadores de conteúdo da direita. Apesar de menos conhecido do que seus concorrentes, a plataforma afirma ter mais de 70 milhões de usuários em todo o mundo. No início, a empresa afirmava que a plataforma serviria como alternativa frente a "corporações e grandes marcas".

Rumble já recebeu financiamento milionário da empresa de capital de risco fundada pelo atual vice-presidente Vance, a Narya Capital. Além da empresa hospedar vídeos ela conta, ainda, com um braço de computação em nuvem, chamada de Rumble Cloud.
Rumble no Brasil
Perfis de influenciadores ligados a direita no Brasil migraram das redes sociais tradicionais para o Rumble. Isso aconteceu após determinações da Justiça fazerem com que plataformas como Youtube e X (antigo Twitter) derrubassem suas contas. Foram os casos de Allan dos Santos, Rodrigo Constantino e Monark. Todos já foram apontados como divulgadores de informações falsas nas redes sociais e tiveram suas contas banidas em outras plataformas.
Outro nome ligado ao Brasil que também produz conteúdo na rede é Glenn Greenwald, jornalista americano. Glenn já usou de suas contas em redes sociais para criticar o judiciário brasileiro.
Em 2023 a plataforma foi bloqueada pela primeira vez no Brasil. À época, o Juízo brasileiro determinou a derrubada de contas e vídeos na rede social, mas a empresa não acatou. Agora, o Supremo Tribunal Federal, por meio do ministro Alexandre de Moraes, solicitou que a empresa indique um representante legal no Brasil para manter as atividades, mas o CEO da plataforma voltou a declinar - provocando uma nova queda da rede social no Brasil.
No país, a rede social caiu no gosto daqueles que discordam de decisões tomadas pela Justiça do Brasil. Alegando "censura" em outras plataformas, os usuários vão ao Rumble para consumir e produzir conteúdo tendo "liberdade de expressão".
Plataforma está fora do ar desde sexta-feira (21). A plataforma só voltará ao ar caso respeite as condições impostas pela Justiça, indicando um representante legal no país e pagando uma multa. Não se sabe quantos usuários o bloqueio afetou no Brasil e nem sua base total de usuários. O UOL tenta contato com a empresa para colher informações, em nota, a plataforma frisou: "Rumble não cumprirá a censura ilegal. Vamos lutar contra isso no tribunal e não vamos recuar".