Presidente da BP planeja saída após gigante do petróleo enfrentar pressão de fundo

há 10 horas 2

O presidente da gigante do petróleo BP, Helge Lund, planeja deixar o cargo em meio às dificuldades enfrentadas pela empresa no processo de recuo da estratégia de emissões líquidas zero —proposta que ele defendia. A decisão ocorre sob pressão do fundo Elliott Investment Management.

Lund era amplamente visto como estando em uma posição vulnerável desde que a Bloomberg informou que a Elliott havia adquirido uma participação de 5% na BP com a intenção de pressionar por mudanças. A pressão só aumentou depois que a "redefinição" da estratégia do CEO Murray Auchincloss ficou aquém do que o investidor ativista desejava.

A BP abandonou um plano de reduzir a produção de petróleo e gás e prometeu gastar menos em energia limpa, mas a Elliott considerou as propostas como carentes de urgência e ambição. Ela estava considerando pressionar por grandes mudanças na gestão da empresa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Um porta-voz da Elliott se recusou a comentar.

"Achávamos que qualquer ativista pediria uma mudança no presidente", que é visto como um dos principais arquitetos da estratégia anterior da empresa, disse o analista da RBC, Biraj Borkhataria, em uma nota. "Não está claro se isso é o motivo, no entanto, sair voluntariamente provavelmente é uma aparência melhor do que a alternativa."

Em um comunicado na sexta-feira, a BP não deu uma data precisa para a saída de Lund, dizendo apenas que ele deixaria o cargo "em um tempo adequado". A busca por um sucessor será liderada por Amanda Blanc, uma diretora independente sênior. Uma vez escolhido um novo presidente, Lund permanecerá no conselho para garantir uma transição suave, provavelmente até 2026.

Folha Mercado

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A BP sofreu vários anos de desempenho fraco desde que adotou o objetivo de emissões líquidas zero em 2020 sob o comando do ex-CEO Bernard Looney. Ele renunciou em 2023 devido à sua conduta pessoal, e Lund liderou o processo para selecionar seu substituto, com o entendimento de que qualquer sucessor manteria a estratégia existente de energia limpa da empresa.

Auchincloss, que era diretor financeiro sob Looney, foi visto como o candidato de continuidade quando foi escolhido pelo conselho para se tornar o novo CEO. O valor da empresa caiu ainda mais durante seu primeiro ano no cargo, e ele anunciou em fevereiro que a BP voltaria a focar em combustíveis fósseis.

Muitos investidores acolheram esse foco no negócio principal mais lucrativo da BP, mas também houve dúvidas sobre a estratégia. Duas das promessas mais importantes da empresa aos investidores —aumentar o fluxo de caixa em mais de 20% ao ano até 2027 e elevar os retornos sobre o capital empregado acima de 16% naquele ano— exigem que o Brent esteja acima de US$ 70 por barril.

O índice de referência internacional caiu abaixo desse nível na quinta-feira (3), após as tarifas comerciais do presidente dos EUA, Donald Trump, desencadearem um colapso global do mercado. As perspectivas para o petróleo sofreram um segundo golpe depois que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e seus aliados fizeram uma reversão repentina de política em um esforço para reduzir os preços.

As ações da BP caíram 1,9% para 392,8 pence às 8h30 no pregão de Londres, em meio a uma ampla venda de ações.

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