O Grupo Soma moveu uma ação judicial contra a Shein por, supostamente, vender cópias de roupas da grife Animale em suas plataformas. A companhia acusa a companhia asiática de abordar seus fornecedores para copiar as roupas produzidas e vendê-las por um preço muito menor.
No pedido à 1ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem do Tribunal de Justiça de São Paulo, o Soma tenta, há pouco mais de um ano, reverter o que considera uma violação de direitos autorais.
Inicialmente, fornecedores do Soma encaminharam ao grupo um documento da Shein no Brasil com indicações dos tipos de roupas que seriam reproduzidas e as marcas da campanha utilizada pela Animale para serem vendidas no ecommerce. Segundo o Soma, as roupas foram utilizadas pela Animale na coleção de verão 2024.
A Shein é representada pela In Glow Brasil Intermediação de Negócios, que negou a violação da marca. No processo, ela afirmou que a marca Animale seria utilizada apenas como referência aos produtos feitos pela companhia. O material serviria para avaliar tendências de mercado.
O Soma afirma que, no documento aos fornecedores, a Shein pedia que as peças fossem reproduzidas com outros tecidos. A ideia era alcançar preços inferiores aos praticados pela Animale, que trabalha com um público segmentado, de alto padrão e com peças exclusivas.
No documento estavam contidas imagens utilizadas em campanhas da Animale, com as mesmas modelos e roupas do site da companhia, porém com a indicação de preço que se buscava na operação.
Algumas das roupas continham um preço de produção que variava entre R$ 15 e R$ 35 por peça. Outros estavam em torno de R$ 35 a R$ 60 —um dos vestidos apontados custa quase R$ 1.800 no site da Animale.
Em 31 de julho, foi realizada uma audiência entre as empresas. O Soma afirma, no processo, que representantes da Shein no Brasil reconheceram a existência do briefing, mas indicaram que o documento foi enviado por uma funcionária de forma indevida e não endossada pela companhia.
Painel S.A.
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A funcionária que assinou o documento aos fornecedores disse, em juízo, que foi instruída pela chefia a distribuir o material e desmentiu as alegações da Shein. Ela afirmou, no entanto, que os disparos foram feitos pelo seu WhatsApp pessoal.
Para a Shein, o documento era uma espécie de benchmarking, método utilizado por empresas para fazer pesquisas de mercado e analisar o que é produzido entre os concorrentes.
O Soma discorda e afirma que, embora estejam em lados opostos na composição de preços dos produtos, as empresas atuam no segmento da moda, de forma que o recorte por preço não seria um limitador de público, mas apenas uma forma de acabar expandindo o consumidor-alvo e beneficiar a Shein.
Além disso, por trabalhar somente com peças exclusivas, a companhia poderia perder clientes que se recusariam a comprar algo encontrado por um valor muito menor ou que tenha perdido o caráter de peça única.
Além de pedir que a Shein pare de enviar pedidos aos fornecedores do Soma, o grupo também pede que todo e qualquer uso da marca Animale, bem como de materiais publicitários parem de circular nas plataformas da Shein.
O Soma também pede indenização por danos morais e materiais.
Outro lado
A Shein disse que está ciente das alegações feitas pelo Grupo Soma, que leva a sério as questões de propriedade intelectual e sempre busca operar dentro das leis e regulamentações aplicáveis em todos os mercados onde atua.
"Reiteramos nosso compromisso com a transparência, a ética empresarial e o respeito pelos direitos de todas as partes envolvidas. Não comentaremos detalhes específicos sobre processos judiciais em andamento, mas acreditamos que os esclarecimentos necessários serão trazidos à luz no curso adequado."
Consultado, o Grupo Soma não quis se manifestar.
Com Diego Felix