A compra do Banco Master pelo BRB virou tema na pré-campanha para o governo de Brasília, no ano que vem. A operação levantou suspeitas de favorecimento político e é objeto de investigação pelo Ministério Público do Distrito Federal.
Pré-candidatos de partidos de oposição ao governo Ibaneis Rocha (MDB), que controla o BRB, pediram apuração das circunstâncias do negócio. Mesmo aliados de Ibaneis têm sido cautelosos e evitado defendê-lo abertamente.
Ricardo Cappelli (PSB), que tem se colocado claramente como postulante à sucessão do governador, diz que o emedebista "está fazendo uma irresponsabilidade".
"Em um banco que a Faria Lima avaliou que valia R$ 1, ele quer pagar R$ 2 bilhões. A prioridade deveria ser resolver o caos da saúde, não salvar um banqueiro encrencado", afirma Cappelli, que é presidente da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial).
Além disso, afirma Cappelli, o gasto de dinheiro público coloca em risco o fundo constitucional do Distrito Federal, um repasse de recursos federais que totaliza R$ 25 bilhões ao ano. "Num contexto de ajuste fiscal, o Congresso pode cortar parte desse fundo, ao ver como o dinheiro está sendo gasto".
Também pré-candidato ao governo local, Leandro Grass (PV), atual presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Artístico e Nacional), diz que o BRB, desde o início da gestão Ibaneis, tem sido afetado por conflitos de interesses.
"Existe muita dúvida sobre a real situação do banco. Esse processo no mínimo deve ser apurado, para que a gente entenda o propósito da operação, ainda mais com a participação de tantos aliados políticos do governador", afirmou.
Segundo Grass, tecnicamente a operação não se sustenta. "O BRB vai ganhar o que com uma operação dessa natureza?", questiona.
Apoiadora do governo Ibaneis, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) diz que não pretende "politizar" a questão.
"Tem que ter transparência. Há muita gente falando que foi a compra de um banco falido, que é do marido da [ex-deputada Flavia Arruda].... Tem que jogar luz para entender o que está acontecendo", afirmou.