O que é necessário para democratizar oportunidades internacionais?

há 21 horas 1

Por muito tempo, as oportunidades de estudar e fazer intercâmbio no exterior foram privilégios considerados "para poucos". Antigamente, somente pessoas muito ricas ou aquelas que estudaram nas melhores escolas tinham a chance de adentrar em grandes universidades internacionais. Contudo, nos últimos dez anos, vimos uma transformação, com um aumento considerável nas bolsas de estudos disponíveis.

Atualmente, há mais de 920 mil vagas de bolsas de estudos integrais espalhadas pelo mundo, possibilitando aos brasileiros o acesso a uma formação de alto nível no exterior, sem custos exorbitantes. Universidades internacionais oferecem cursos de graduação, mestrado, doutorado, intercâmbios de idiomas e até estágios e pesquisas científicas com 100% de cobertura. A democratização das bolsas, na verdade, já está acontecendo.

Mas o que ainda falta? Informação. Muitas instituições brasileiras não discutem essas possibilidades com seus alunos. E, em alguns casos, o sistema educacional e até mesmo as empresas parecem não ter interesse em divulgar essas alternativas. Talvez, por um temor de que mais pessoas consigam alcançar oportunidades sem a necessidade de grandes investimentos financeiros.

Contudo, no Brasil, já estamos defendendo que, sim, é possível estudar fora com bolsa integral, sem custos altos, como os 80 mil dólares anuais exigidos por algumas universidades de ponta. E, para aqueles que desejam viver essa experiência, a preparação está mais acessível do que nunca.

Nos anos 1990, para ir a uma universidade renomada, como Harvard, era preciso ter alto poder aquisitivo e um bom networking. Hoje, podemos fazer cursos online na universidade diretamente de casa. A própria instituição oferece conteúdos gratuitos na sua plataforma, sem contar as milhares de bolsas de 100% abertas todos os anos.

A globalização digital abriu portas para possibilidades inimagináveis, tornando as oportunidades cada vez mais inclusivas, com vagas para pessoas de países em desenvolvimento, como o Brasil, onde ainda enfrentamos desafios como alta corrupção, baixos índices educacionais e poucas oportunidades para jovens.

E, à medida que as oportunidades aumentam, também mudam os critérios de seleção. Atualmente, mais da metade dos processos seletivos leva em consideração a história de vida do candidato, seus sonhos, talentos e pontos fortes e fracos. Esse aspecto humanizado é uma verdadeira revolução, imagine, por exemplo, um aluno que estudou em escola de elite, viajou o mundo e fala três idiomas, e outro que estudou em escola pública e nunca teve uma aula de inglês. Neste caso, por conta deste modelo, os brasileiros possuem mais chance de se destacar e conquistar uma oportunidade de bolsa.

A disparidade social é, sem dúvidas, um dos maiores desafios. Acredito que o caminho é ampliar o acesso a oportunidades internacionais, oferecendo para todos, as ferramentas necessárias para se destacarem. Com mais informações, alinhadas à acessibilidade, podemos transformar a vida de muitos brasileiros, ajudando-os a alcançar o que antes parecia um sonho distante: uma educação internacional de qualidade, sem custos exorbitantes, e com um futuro promissor à frente.

O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Matheus Tomoto foi "Don’t Stop Believin'", de Journey.

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