O que é a retaliação cruzada, que o Brasil pode adotar contra os EUA

há 23 horas 1

Brasil já fez isso entre 2002 e 2014, durante disputa com EUA sobre subsídios ao algodão. Na época, como lembrou Ronaldo Félix, especialista em comércio exterior e sócio da Saygo Comex, OMC autorizou o país a adotar medidas em patentes e outros ativos de alto valor, já que apenas a retaliação no setor do agro não teria o mesmo efeito. "Essa é a essência da retaliação cruzada: flexibilidade para reagir de forma proporcional, mesmo fora do setor diretamente envolvido", afirma.

Outras alternativas passam pelos produtos de beleza e até por filmes de Hollywood. Segundo Félix, além da pressão na OMC, o Brasil também pode mirar em "produtos símbolo" americanos para fazer essa pressão para negociar medidas menos duras. "Na prática, isso poderia incluir a suspensão de patentes de medicamentos de alto custo, softwares e tecnologias americanas, e até produtos como motocicletas ou vinhos da Califórnia", enumera. "Só que isso precisa ser juridicamente embasado e estrategicamente calculado para evitar uma escalada nas tensões comerciais", alerta Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio

Apesar dos desafios impostos pelas tarifas, o Brasil pode sair como um "provável vencedor" na guerra comercial iniciada por Trump, segundo o The Wall Street Journal. O país tem a oportunidade de aumentar as exportações para a China, ocupando o espaço deixado pelos produtos americanos. Além disso, ao substituir a China em mercados como os EUA, os produtos brasileiros podem se tornar mais competitivos.

Um relatório do Financial Times baseado em um estudo da Aston University alerta que a proposta de tarifas de 25% de Donald Trump pode causar danos de até US$ 1,4 trilhão à economia mundial. O estudo aponta que uma resposta global às tarifas pode paralisar o comércio internacional e aumentar a inflação. A pesquisa analisou seis cenários escalonados com base em dados de comércio bilateral de 132 países.

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