Nem pagando: 'seca de matches' faz solteiros questionarem apps de namoro

há 1 mês 3

O objetivo dos aplicativos é prender a atenção. As empresas querem que os usuários permaneçam o maior tempo possível nos aplicativos. Assim, é comum que eles sejam desenhados para persuadir o usuário a comprar "atalhos" que prometem encontrar o match perfeito, dizem especialistas.

É um mercado baseado em um modelo de negócio com inputs específicos, como a prisão da atenção do usuário e a possibilidade de lucrar com o interesse subjetivo dos usuários naquele aplicativo. A pessoa fica com a sensação de que, pagando versões premium, aumentará as ofertas de relacionamentos.
Ramon Costa, advogado, doutor em direito pela PUC-Rio e professor do Insper, com estudos na área de direito civil e digital

No Brasil são 16 milhões de usuários e o mercado gerou US$ 53,9 milhões (R$ 310 milhões) em 2023, segundo dados do Statista. No entanto, o mercado brasileiro tem pouca adesão às versões pagas dos apps. Apenas 2,9 milhões dos usuários estão dispostos a colocar a mão no bolso para encontrar o par perfeito.

Sensação de que "algo melhor está por vir" persuade usuários a se manterem nos apps. Com a promessa de uma grande oferta de possíveis encontros, os usuários tendem a continuar deslizando para a direita e esquerda, em busca de um par. Segundo Carmita Abdo, psiquiatra, professora da faculdade de Medicina da USP e coordenadora do programa de estudos em sexualidade, a ideia de ter um serviço de relacionamentos à mão pode levar uma pessoa a ficar horas em frente à tela.

O aplicativo dá a impressão de que tem muitas pessoas disponíveis --e que podemos encontrar sempre alguém 'melhor'. Mas tem um outro lado: o quanto talvez a gente esteja se engajando sem o mínimo real interesse. É tão grande a oferta que posso me dar ao luxo de entrar e sair quando eu bem entender, sem perceber que é meu tempo e energia.
Carmita Abdo, professora da faculdade de Medicina da USP

Usuários podem 'pagar' com dados nas versões gratuitas
Usuários podem 'pagar' com dados nas versões gratuitas Imagem: Getty Images
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