Há 20 anos, YouTube era lançado como site de namoro

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Eles mudaram de ideia quando perceberam que os usuários enviavam vídeos de cachorros, viagens de férias e coisas desse tipo. "Achamos isso muito interessante. Pensamos 'por que não deixar os usuários definirem o que é o YouTube?' Em junho, havíamos reformulado completamente o site, tornando-o mais aberto e geral. Funcionou."

Um ano após o lançamento, usuários em todo o mundo foram atraídos pela interface amigável do YouTube e pela novidade de permitir que as pessoas fossem criadoras de conteúdo com apenas um perfil e uma câmera. Além disso, era possível "curtir, comentar ou assinar" conteúdos, criando uma experiência inclusiva e imersiva.

Interface do YouTube em janeiro de 2006
Interface do YouTube em janeiro de 2006 Imagem: Reprodução/YouTube/The Wayback Machine

Pouco mais de um ano depois da plataforma ter sido colocada on-line, em novembro de 2006, o Google reconheceu o potencial do YouTube e o adquiriu por 1,65 bilhão de dólares em ações.

Momentos "piscou, perdeu"

O mito do YouTube diz que Karim concebeu a ideia de codificar um site para compartilhamento de vídeos caseiros depois de ele ter procurado sem sucesso imagens de dois eventos distintos em 2004.

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Em fevereiro, o infame incidente durante o Super Bowl nos EUA que ficou conhecido como "mamilogate", quando "falha de vestuário" expôs o seio da cantora Janet Jackson, viu um pico na demanda por videoclipes por parte daqueles que perderam o momento que durou uma fração de segundo.

Em dezembro, o tsunami no Oceano Índico fez com que as pessoas procurassem e compartilhassem desesperadamente imagens do desastre.

Atualmente, mais de 500 horas de conteúdo são carregadas na plataforma a cada minuto. O YouTube também se tornou o site de vídeos virais que deixaram marcas inesquecíveis na cultura global, seja o charme inocente de Charlie Bit My Finger ou a energia contagiante de Gangnam Style do cantor sul-coreano Psy, em 2012.

Captura de tela do vídeo viral "Charlie bit my finger" (Charlie mordeu meu dedo, em tradução livre)
Captura de tela do vídeo viral "Charlie bit my finger" (Charlie mordeu meu dedo, em tradução livre) Imagem: Reprodução

Além de se tornar o primeiro vídeo a atingir um bilhão de visualizações, este último também demonstrou a capacidade da plataforma de transcender barreiras culturais e linguísticas. Atualmente, o vídeo mais visto do YouTube é Baby Shark Dance, com mais de 15 bilhões de visualizações.

Sensações da noite para o dia

Nenhuma história sobre a origem do YouTube estaria completa sem mencionar a descoberta da sensação pop Justin Bieber. Em 2007, Patti Mallette carregou vídeos de seu filho cantando covers, chamando a atenção do empresário de talentos Scooter Braun. O que veio depois se tornou parte do folclore da música pop, mas ilustrou o potencial do site como uma plataforma de lançamento para talentos desconhecidos.

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A ascensão de Bieber à fama também refletiu o papel do YouTube em nivelar o campo de atuação na indústria do entretenimento: qualquer um com uma câmera e um bom conjunto de instrumentos poderia potencialmente se tornar o próximo grande sucesso.

O mesmo vale para a produção cinematográfica. Por exemplo, depois que o curta-metragem escrito e dirigido por Wesley Wang, Nothing, Except Everything, se tornou viral, o cineasta de 20 anos se uniu à produtora Protozoa de Darren Aronofsky - de A baleia (2022) e Cisne negro (2010) - para criar uma versão longa-metragem da obra.

O curta de 13 minutos, que mergulha na angústia adolescente em um ambiente de ensino médio, foi criado durante o último ano de escola de Wang. O vídeo já foi visto mais 4 milhões de vezes após estrear no YouTube e ganhou o Grande Prêmio do Júri no Indy Shorts Film Festival de Indianápolis.

Ao mesmo tempo, os gêmeos australianos Daniel e Micheal Philippou, que criaram o canal RackaRacka no YouTube, fizeram sucesso com seu longa-metragem de terror de 2022 Talk To Me.

"Como fazer..."

Contudo, talvez a plataforma seja mais conhecida por ser uma fonte de dicas úteis, o que pode incluir qualquer coisa, desde "como tirar fotos da lua com o iPhone" até "limpeza com Coca-Cola".

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Canais como TED-Ed, Khan Academy e CrashCourse também transformaram a plataforma em uma sala de aula virtual acessível a qualquer pessoa, em qualquer lugar.

O estudo Uso de Redes Sociais, de 2021, do Centro de Pesquisas Pew, afirma que, durante a pandemia de covid-19 e as medidas de isolamento, o YouTube cresceu mais do que qualquer outra plataforma do tipo, em um momento em que as pessoas buscavam maneiras produtivas de passar o tempo.

Médica usando câmera para fazer transmissão para o YouTube
Médica usando câmera para fazer transmissão para o YouTube Imagem: Getty Images

Uma curiosidade: Finneas O'Connell - também conhecido como irmão da cantora Billie Eilish e produtor musical - afirmou à Future Music em setembro de 2021 que aprendeu os fundamentos da música com seus pais, "depois aprendi o resto no YouTube". Ele produziu o álbum de estreia de Eilish, When We All Fall Asleep, Where Do We Go?, que ganhou vários Grammys em 2020, incluindo Álbum do Ano.

Sem estar livre de críticas

A plataforma, no entanto, também enfrentou críticas sobre o manuseio de conteúdo protegido por direitos autorais, promoção de teorias da conspiração e presença de conteúdo inapropriado. Várias medidas foram implementadas para lidar com essas preocupações, incluindo políticas de conteúdo mais rígidas e algoritmos aprimorados para filtrar conteúdo prejudicial.

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A plataforma, por exemplo, enfrentou reações negativas por permitir a disseminação de desinformação antivacina e conteúdo extremista, o que a levou a fortalecer suas políticas de moderação de conteúdo e fazer parcerias com organizações de verificação de fatos.

Mas, segundo os críticos, a desinformação ainda abunda na plataforma. O Google vem rejeitando as regras da União Europeia (UE) para lidar com esse problema.

"O que aconteceu com…?"

"Eu no zoológico" é reconhecido como o primeiro vídeo carregado no YouTube, em 23 de abril de 2005. O clipe de 19 segundos apresenta Jawed Karim falando em frente ao recinto de elefantes do zoológico de San Diego.

Vídeo "Me at the zoo" foi o primeiro publicado no YouTube, em abril de 2005
Vídeo "Me at the zoo" foi o primeiro publicado no YouTube, em abril de 2005 Imagem: Reprodução/YouTube

No entanto, ao contrário de alguns "manos" da tecnologia que gostam de chamar a atenção, Karim, Chad Hurley e Steve Chen mantiveram posturas discretas.

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Um denominador comum de suas vidas pós-YouTube é seu apoio (individual) ao longo dos anos a diversas startups. O paradeiro do trio hoje também fornece material para vídeos na plataforma que eles mesmo criaram duas décadas atrás.

O comentário de usuário em um desses vídeos talvez resuma melhor isso: "é uma loucura pensar que esses três caras não mudaram apenas a internet, mas também o mundo".

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