
Para elaborar a pesquisa, os cientistas utilizam o mapeamento fotogeológico dos cânions. A equipe também analisou depósitos de material ejetado a partir de impactos relacionados, com a intenção de identificar a trajetória do asteroide ou cometa que se chocou contra a Lua e formou os vales em questão, identificados próximos ao polo sul lunar.
De acordo com o estudo, todo o processo de formação dos cânions aconteceu rapidamente. "As direções do fluxo dos detritos ejetados e a velocidade de seu subsequente impacto com a superfície lunar são calculadas, assim como a energia que esculpiu os cânions, em menos de dez minutos". Segundo os cientistas, ambos os cânions sofreram erosão ao longo dos bilhões de anos que se passaram desde o seu surgimento na superfície da Lua.
A energia para produzir os grandes cânions na Lua é de 1.200 a 2.200 vezes maior do que a energia da explosão nuclear uma vez planejada para escavar um segundo Canal do Panamá na Terra, mais de 700 vezes maior do que o rendimento total dos testes de explosão nuclear dos EUA, URSS e China, e cerca de 130 vezes maior do que a energia no inventário global de armas nucleares. Trecho do estudo
Os cânions encontrados ganharam nomes dos pesquisadores: Vallis Schrödinger e Vallis Planck. O cânion Vallis Schrödinger tem aproximadamente 270 quilômetros de comprimento, 20 de largura e 2,7 de profundidade. Segundo o estudo, este cânion está localizado "dentro dos limites da manta contínua de material ejetado". Quinze crateras secundárias foram identificadas ao longo do Vallis Schrödinger, com diâmetros entre 10 e 16 km, um tamanho "consideravelmente maior do que a teoria poderia sugerir", diz o estudo.
Já o Vallis Planck tem cerca de 280 quilômetros de comprimento, 27 de largura e 3,5 de profundidade. No caso deste cânion, um raio de crateras secundárias se estende por 860 quilômetros além da manta contínua de material ejetado.