Caravan Maschera celebra 15 anos com mostra itinerante gratuita de teatro de bonecos

há 23 horas 1

A companhia Caravan Maschera, da zona rural de Atibaia, completa 15 anos, e há 12 mantém contato com o pessoal do Sobrevento, um dos grupos mais importantes e longevos do teatro de animação brasileiro, conhecido por receber outros artistas para oficinas, estadias e apresentações. Agora, com a mostra itinerante e gratuita Bonecos sem Fronteiras, levam pela primeira vez suas peças para o galpão da veterana.

"Agrega um valor muito grande nos apresentarmos num polo de teatro de bonecos, não só do Brasil, mas da América Latina. O Sobrevento atrai um público específico dessa linguagem, mas também tem uma ação de atuar em zonas mais periféricas que é muito próxima daquilo que a gente faz", afirma Leonardo Garcia Gonçalves, um dos criadores da Caravan Maschera.

Serão cinco apresentações, duas voltadas às crianças e três ao público adulto. Na quinta-feira, às 20h, os artistas apresentam uma adaptação mais silenciosa de "Vidas Secas", de Graciliano Ramos, com bonecos inspirados nas pinturas de Candido Portinari, que busca explorar, através das tensões dos movimentos dos títeres, a incomunicabilidade e as mazelas sociais retratadas no clássico da literatura.

No dia seguinte, no mesmo horário, encenam "Vigiar e Punir", sátira criada a partir da obra do filósofo francês Michel Foucault, trazendo suas ideias para a atualidade, quando tudo pode ser filmado e transmitido o tempo todo. Francisco de Goya e Hieronymus Bosch inspiram as marionetes.

No sábado, a terceira peça adulta da seleção, "Monsanto Mon Amour", bota em pauta a crise ambiental e o consumo desenfreado, criticando nominalmente organizações como a Monsanto e a Bayer.

As duas obras infantis serão apresentadas às 18h, uma no sábado, outra no domingo. "Tiringuito, Luisa e a Morte" une referências ao teatro de mamulengos nordestino e à tarantella italiana, e "Hoje, Godot Não Vem!" substitui os vagabundos do clássico de Beckett por duas crianças e cria seus visuais a partir de René Magritte.

"O teatro de bonecos se comunica muito bem com as infâncias, mas não é só voltado para elas", afirma Gonçalvez. "Ele tem uma poesia particular. Quando você pega uma obra pesada como 'Vigiar e Punir' e faz nesse formato, as pessoas sentem muito mais os temas. Isso abre um campo de reflexão que não é só o do pensamento logico, vem de um lugar sensível."

A mostra, que já parou no Teatro Arthur Azevedo, em São Paulo, além de em Franco da Rocha, Ourinhos, São Sebastião e Mairiporã, deve voltar para uma última vez para a capital paulista em maio, quando estaciona no Teatro Alfredo Mesquita.

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