Não será a primeira vez (nem a última) que uma montadora reposiciona uma geração anterior para conviver com a atual. A Nissan já fez isso com o Versa (que virou V-Drive) e apresentou o Kicks Play, o reposicionamento do SUV compacto já esperando o novo Kicks nas lojas nos próximos meses. Com apelo de custo/benefício, vale mesmo a pena?
Segura o nome completo: Nissan Kicks Play Advance Plus. Esta é a versão topo do Kicks Play, que conseguimos quase resumir como o Kicks intermediário colocado no topo da gama depois que o antigo topo saiu de cena. Custa R$ 146.790, mais barato que versões de entrada de alguns SUVs compactos, mas não a mais interessante dele. Vamos lá que te explico melhor.
Com foco na nova geração do Kicks, a Nissan não fez grandes mudanças para ter o Kicks Play. Visualmente, o SUV é basicamente o mesmo, com o novo logo da marca japonesa, se diferenciando pelo Play na tampa traseira, abaixo do Kicks. Como o Advance já tinha, os faróis são halógenos, com a luz diurna em LEDs onde seria o farol de neblina, assim como as lanternas, assinadas em LEDs com iluminação também convencional.
As duas versões mais completas do Kicks Play já tem as rodas de 17" de liga-leve, o que tira a cara de carro simples. No resto, é o mesmo Kicks que já conhecemos desde 2021, quando ele ganhou este visual reestilizado, inclusive no interior, com o painel com a tela de 7" e o sistema multimídia com tela de 8" com espelhamentos Apple CarPlay e Android Auto por fio nesta versão.

Foto de: Motor1.com
Como o Advance Plus tomou o lugar de versão topo, ele não perdeu itens, mas comparado ao Exclusive, sentimos ausências como os faróis em LEDs, ar-condicionado automático e alerta de ponto-cego, mas o pacote do Advance Plus no Play já tem, por exemplo, o alerta de colisão com frenagem automática, exclusivo na nova versão topo, que já se aproxima dos R$ 150 mil.
Aliás, uma coisa mudou. O já veterano motor 1.6 aspirado do Kicks Play teve que ser recalibrado para atender novas normas de emissões. Na linha 2024, os números já foram reduzidos para 110 cv e 15,2 kgfm com gasolina e 113 cv/15,3 kgfm com etanol, mas o Play chega com 110 cv e 14,9 kgfm com gasolina e 113 cv/15,2 kgfm com etanol, números longe do que os concorrentes, mesmo 1.0 turbo, já oferecem.

Foto de: Motor1.com
O espaço interno do Nissan Kicks sempre foi um ponto de elogios. Os bancos, apesar de pequenos para pessoas mais altas, são confortáveis e, nesta versão, com acabamento em couro. De seus 4.310 mm de comprimento, o entre-eixos é de 2.620 mm, número bom até hoje, o que colabora no espaço interno do SUV, principalmente para as pernas dos ocupantes. A largura de 1.760 mm acomoda bem dois adultos no banco traseiro, mas não um terceiro tão bem.
No porta-malas, os 432 litros são bem distribuídos em um compartimento alto e com acesso de boas dimensões, principalmente pelo piso que não afunda tanto, importante para colocar e tirar objetos maiores e mais pesados no dia a dia. Alguns SUVs até mais novos esquecem isso e, pela altura da carroceria, acaba colocando o acesso alto e um piso longe dessa entrada.

Foto de: Motor1.com
O interior usa bastante plástico, mas não tem uma aparência simples demais e boa montagem. O design em si não impacta mais e não tem uma variação de tipos de materiais e texturas e, principalmente pelo tempo que o conhecemos, começa a pesar a idade. Se por fora o Kicks mudou em 2021, o interior segue intocado desde 2016, quando chegou ao nosso mercado ainda importado do México.
Mas sei que a maior parte dos comentários será sobre seu motor 1.6. Na cidade, o Kicks Play é suficiente, mas o CVT reprogramado joga mais rotação em diversas situações onde isso não acontecia para suprir o que perdeu com o tempo e dar a sensação de que não tem torque, mas justamente pela natureza de um motor aspirado, principalmente mais antigo, a rotação tem que ser maior para entregar os números por completo.

Foto de: Motor1.com
A suspensão do Kicks é elogiável no equilíbrio. Confortável, não tem aqueles barulhos chatos quando se passa em ruas maia esburacadas ou bate seco quando esquecemos as lombadas, ao mesmo tempo em que dá uma boa estabilidade de dirigibilidade para um SUV, inclusive para viagens, onde o seu problema será lidar, principalmente com o carro carregado, com a baixa potência e torque em retomadas e ultrapassagens. Depois de tantos anos, merecia mesmo um motor melhor.
A jogada do Nissan Kicks Play é o custo/benefício. Nesta versão Advance Plus, de R$ 146.790, é um valor considerável, mas na mesma faixa da versão de entrada de diversos concorrentes. Mas recomendaria o Kicks Play Sense, de R$ 126.890, o preço de alguns sedãs e hatches compactos mais completos, e onde você perde apenas alguns itens para economizar esses R$ 20 mil. A própria Active Plus não tem rodas de 17" e recebe uma multimídia de 7", mas já atende bem se seu orçamento está mais apertado.
Nissan Kicks Play 1.6 CVT
Motor dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.598 cm3, duplo comando variável, flex
Potência e torque 110/113 cv a 5.600 rpm; 14,9/15,2 kgfm a 4.000 rpm
Transmissão automática CVT com simulação de 6 marchas; tração dianteira
Suspensão McPherson na dianteira, eixo de torção na traseira; rodas de 17" com pneus 205/55 R17
Comprimento e entre-eixos 4.310 mm; 2.620 mm
Largura 1.760 mm
Altura 1.610 mm
Peso 1.139 kg em ordem de marcha
Capacidades tanque: 41 litros; porta-malas: 432 litros
Preço como testado R$ 146.790 (Advance Plus)