ANPD nega recurso e empresa de escaneamento de íris interrompe serviço

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TFH diz que vai interromper voluntariamente o serviço de verificações. De acordo com a empresa, os espaços físicos continuarão abertos, mas só para "fornecer educação e informações ao público", conforme nota enviada à Tilt. A empresa diz que usará esse tempo para se adequar à solicitação da ANPD.

A compensação financeira oferecida pela empresa configura interferência indevida na livre manifestação de vontade dos titulares. É o que diz a diretora da ANPD Miriam Wimmer em seu voto para que empresa pare de pagar pelo escaneamento.

Entenda a tecnologia

A TFH é responsável por um dispositivo chamado Orb, que faz o escaneamento de dados da íris das pessoas. A ideia da empresa é desenvolver um sistema único de verificação humana conhecido como WorldID. Como contrapartida, quem cede as informações ganha um criptoativo - há relatos de pessoas que conseguiram sacar até R$ 700, mas não há um valor fixo.

Como o UOL noticiou, a ANPD havia pedido detalhes à empresa sobre a coleta de dados. A TFH informou à autarquia que cria "ferramentas que as pessoas precisam para se preparar para era de IA, ao mesmo tempo preservando a privacidade individual". Em comunicado, a empresa citou que está em regularidade com a LGPD, usa "os mais altos padrões de privacidade e segurança" e está à disposição para prestar esclarecimentos.

A ANPD monitora o uso crescente de coleta de dados biométricos, como voz, digitais, face e retina. Essas informações são consideradas sensíveis pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), pois o roubo de tais informações pode auxiliar em fraudes (pessoas podem se passar por você) ou para fins discriminatórios (sistemas de reconhecimento facial apresentam grande taxa de erro com pessoas de pele escura, podendo expô-las a situações vexatórias, como ser abordada pela polícia por ter a mesma cor de um suspeito).

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