Agência dos EUA suspende lançamentos do Starship após explosão afetar voos

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As chamadas de rádio urgentes dos controladores de tráfego aéreo no escritório da Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) em Porto Rico começaram a ser feitas na noite de quinta-feira (16), quando um voo de teste da SpaceX resultou na explosão da espaçonave Starship e os destroços dela começaram a cair em direção ao Caribe.

Voos próximos a Porto Rico precisavam evitar passar pela área —ou corriam o risco de serem atingidos por pedaços caindo do segundo estágio do mais novo foguete da empresa de Elon Musk.

"Acidente com veículo espacial", disse um controlador de tráfego aéreo no sistema de rádio da FAA, enquanto observadores nas ilhas abaixo e até mesmo em alguns aviões voando nas proximidades viam rastros de luz brilhante conforme partes da espaçonave caíam em direção ao oceano.

Um segundo controlador de tráfego aéreo acrescentou: "Temos relatos de destroços fora das áreas protegidas, então atualmente teremos que mantê-lo neste espaço aéreo".

O acidente com a espaçonave, que explodiu enquanto ainda estava subindo para o espaço, levou a FAA a suspender nesta sexta (16) quaisquer decolagens adicionais do Starship, o maior e mais poderoso foguete já construído.

O episódio levanta novas questões sobre a segurança do crescente número de lançamentos comerciais ao espaço, ou pelo menos a perturbação do tráfego aéreo causada por eles.

Também é o mais recente incidente que destaca os conflitos que o novo papel de Musk na administração Trump trará. Ele terá a incumbência de recomendar mudanças e potencialmente cortes orçamentários em agências governamentais, incluindo a FAA. Essa tensão poderia prejudicar investigações como a anunciada na sexta.

Musk, que está se preparando para viajar a Washington para participar da posse de Trump, expressou confiança mesmo na noite de quinta-feira de que a SpaceX resolveria rapidamente as questões sobre a explosão e reiniciaria os voos de teste.

"Até agora, nada sugere adiar o próximo lançamento para o próximo mês", Musk escreveu em seu site de mídia social, X.

O bilionário também brincou com o espetáculo que a explosão criou, enquanto os destroços caiam em direção às ilhas Turks e Caicos. "O sucesso é incerto, mas a diversão é garantida!", escreveu ele sobre um vídeo dos destroços em chamas caindo em direção à Terra.

A explosão aconteceu depois que o segundo estágio da Starship —que está programado para transportar carga ou até mesmo astronautas a caminho da Lua em futuras missões— se separou do propulsor Super Heavy e voava a cerca de 21 mil km/h, a 145 quilômetros acima da Terra.

A espaçonave já havia disparado seus próprios foguetes para concluir a viagem à órbita, de acordo com as informações de rastreamento de navios da SpaceX, sugerindo que, no momento em que explodiu, pesava um pouco mais de 100 toneladas, que é a massa aproximada da Starship sem combustível.

A SpaceX e os oficiais da FAA não responderam às perguntas enviadas por escrito pelo The New York Times sobre se a explosão e a queda de destroços poderiam ter representado uma ameaça a qualquer aeronave ou pessoas no solo. Não está claro quanto da espaçonave pode ter queimado ao cair.

A agência, que regula lançamentos comerciais nos Estados Unidos, disse que não houve relatos de feridos, mas que está investigando relatos de danos materiais em Turks e Caicos. Também disse que várias aeronaves que foram solicitadas a aguardar em uma área longe dos destroços acabaram tendo que desviar e retornar a outros aeroportos por causa do baixo combustível.

Em um comunicado sobre o sétimo voo de teste da Starship, a SpaceX afirmou que dados iniciais sugeriram que um incêndio havia começado na seção traseira da espaçonave, resultando na explosão e no pouso de destroços em uma área que a SpaceX e a FAA já haviam identificado como propensa a tais perigos.

Mais perto do local de lançamento no sul do Texas, na beira do Golfo do México, todos os voos já estavam proibidos no momento do lançamento. A Starship estava cerca de dez vezes mais alta do que a altitude dos voos comerciais quando explodiu, o que significa que deveria ter havido tempo para avisar qualquer avião na área para se afastar antes que quaisquer destroços restantes se aproximassem.

A SpaceX ficará encarregada da investigação do acidente, porém será supervisionada pela FAA, que poderá permitir que retome os voos de teste mesmo antes da conclusão da investigação, se a empresa puder mostrar que o acidente não criou um risco à segurança.

Musk já expressou frustração com a demora da agência em aprovar as licenças de lançamento da Starship. Agora ele será um membro proeminente da administração Trump, por meio de sua posição como colíder de um grupo consultivo chamado Departamento de Eficiência Governamental, com o poder de avaliar os gastos federais e regulamentações.

"O que esta nova administração pode fazer é acelerar essa revisão até sua conclusão", disse Todd Harrison, ex-executivo da indústria espacial no Instituto Enterprise America.

Ele acrescentou que esperava que algumas pessoas na FAA pudessem querer impor novas exigências à SpaceX relacionadas ao horário dos futuros lançamentos de teste da Starship, ou restrições mais amplas aos voos ao longo de mais partes da trajetória de voo.

Tim Farrar, consultor da indústria de satélites, disse que o incidente mostrou as complicações que os EUA vão enfrentar conforme aumentam os lançamentos espaciais —tanto para o Pentágono, à medida que expande a capacidade de combate espacial, quanto para grandes empresas comerciais, como SpaceX e Amazon, que estão construindo constelações com milhares de satélites para criar acesso global à internet banda larga a partir da órbita.

"Quanto você pode aumentar de forma realista o ritmo desses lançamentos?", questionou Farrar.

No ano passado, houve 145 lançamentos que atingiram a órbita a partir dos Estados Unidos, em comparação com apenas 21 há cinco anos. Desses lançamentos orbitais, 133 foram feitos pela SpaceX, que agora é a empresa espacial dominante do mundo, de acordo com dados coletados por Jonathan McDowell, astrofísico que rastreia lançamentos globalmente.

A maioria desses lançamentos da SpaceX foi feita pelo foguete Falcon 9, que está implantando satélites de comunicação Starlink e cargas úteis do Pentágono e não foi afetado pela ordem da FAA na sexta-feira.

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