As crianças das classes DE, entretanto, possuem menos acesso à internet em relação às crianças das demais classes. Considerando a faixa etária de 6 a 8 anos, 69% das crianças das classes DE usaram a internet em 2024, contra 88% na classe C e 97% das classes AB. A disparidade também acontece na faixa etária de 3 a 5 anos, com 60% (DE), 77% (C) e 90% (AB), e de 0 a 2 anos, com 40% (DE), 47% (C) e 45% (AB).
Dispositivo de acesso
Houve um grande salto em relação às crianças que possuem telefone celular, principalmente depois da pandemia de Covid-19. Em 2015, 18% das crianças entre 6 e 8 anos tinham um celular próprio. Esse número subiu para 36% em 2024. Entre as crianças de 3 a 5 anos, o número subiu mais de três vezes, de 6% em 2015 para 20% em 2024.
Entretanto, o uso de computadores, seja desktop, notebook ou tablet, caiu. Em 2015, 26% das crianças de 3 a 5 anos e 39% entre 6 e 8 anos usavam algum desses equipamentos. Já em 2024, o número caiu para 17% e 26%, respectivamente. Já entre as crianças de 0 a 2 anos, o uso desse tipo de dispositivo apresentou estabilidade.
Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, afirma que os dados levantados são apenas um primeiro passo para compreender a utilização de tecnologias digitais pelas crianças. Outras pesquisas são necessárias para mensurar, por exemplo, o tempo em que essas pessoas passam diante da tela e a forma em que esse tipo de tecnologia é usado. "Também é fundamental compreender quais os conteúdos acessados e as práticas de mediação dos responsáveis para o uso da Internet pelas crianças", afirma.