Entre os desafios de investir no banco, está o aumento do risco de inadimplência com a entrada no segmento de médias empresas. Por trabalhar com crédito corporativo, existe também um risco de concentração caso alguma grande empresa apresente problemas como foi o caso de Americanas. Os impactos da quebra de uma companhia tendem a ser maiores do que seria em outros bancos, pontua Renato Reis, analista da Blue3 Research. "A parte positiva é que o segmento de empresas costuma ser mais resiliente do que pessoas físicas", pondera.
Reis é neutro na recomendação para o banco ABC, por considerar que a inadimplência das empresas está aumentando. O dividend yield projetado para os próximos 12 meses é de 7%. Para Duarte a recomendação é de compra, com dividend yield estimado de 6,5%.
Banco Itaú tem crédito diversificado
O banco Itaú possui uma carteira de crédito bem diversificada, que ultrapassa R$ 1 trilhão. Segundo Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, há linhas de crédito variadas tanto para pessoas físicas quanto para empresas, com e sem garantia. "Nos últimos trimestres, o Itaú mudou o foco de crescimento da carteira. Antes o imobiliário estava crescendo forte, agora o maior foco é para financiamento de veículos, com spread maior e boas garantias", explica. Reis, da Blue3 Research, diz que o banco Itaú seria a melhor alternativa para quem busca renda no longo prazo.
Porém, as ações ITUB3 e ITUB4 são consideradas caras pelo mercado se comparadas com papéis de outros bancos. O problema desse preço esticado, segundo Reis, é a cobrança do que o mercado espera do Itaú. Se houver um problema na rentabilidade do banco, por exemplo, a penalização das ações pode ser maior do que em outra instituição.
Após passar por um período de investimentos mais elevados em transformação digital, o Itaú voltou a distribuir uma proporção maior do seu lucro aos acionistas, em torno de 60%, e, na visão de Quaresma, essa prática deve persistir no curto prazo.