Opinião - Claudio Bernardes: A cidade inteligente moldando um mercado imobiliário inteligente

há 4 horas 1

Conhecemos as cidades inteligentes e os edifícios inteligentes. Mas o que seria um mercado imobiliário inteligente e qual sua relação com as cidades inteligentes?

É fato que as tecnologias inteligentes podem impactar significativamente a cidade e o desenvolvimento imobiliário, tornando-os mais sustentáveis, mais eficientes e conduzidos de forma mais segura

A construção de cidades inteligentes que possam moldar um mercado imobiliário inteligente depende fortemente da aplicação de tecnologias avançadas e inovação, que vão também ditar o valor dos investimentos na produção imobiliária.

Nas últimas duas décadas, o mercado imobiliário passou por uma revolução digital impulsionada por inovações tecnológicas. Esta transformação está remodelando as atividades dos operadores do mercado, em especial com relação a análises de dados mais precisas e abrangentes, e ao uso cada vez mais intenso de ferramentas digitais na conexão do ambiente cibernético com o mundo real.

O Mercado Imobiliário Inteligente (MII) utiliza a tecnologia para melhorar a sustentabilidade dos produtos, sua eficiência, e a experiência do cliente. É possível e necessário que exista uma integração significativa e uma relação recíproca entre Cidades Inteligentes (CI) e MII. Dentro desse contexto, os edifícios inteligentes são fundamentais para o estabelecimento de ecossistemas urbanos sustentáveis e eficazes, que possam servir de elo para a conexão das funções da cidade como um todo.

As tecnologias inteligentes têm um imenso potencial para uso na construção de ambientes urbanos com mais qualidade de vida, e isso possibilita um desenvolvimento imobiliário mais pujante, pois agrega valor aos imóveis, aumenta a confiança dos investidores, gera lucros e aumenta a concorrência no mercado, favorecendo a queda de preços, maior alcance das vendas, e, portanto, o atendimento das necessidades habitacionais de maior parcela da população.

Para a preparação de um ambiente propício ao desenvolvimento de um MII, a gestão municipal deve investir na criação de sistemas abrangentes de big data e georreferenciamento de dados, disponibilizando-os às partes privadas interessadas. Além disso, deve adotar sistemas e plataformas digitais que possam deixar a governança da cidade pronta para interagir de forma satisfatória com os elementos e atores envolvidos no desenvolvimento urbano, em especial, os ligados ao mercado imobiliário.

As empresas do mercado, por sua vez, devem adotar tecnologias focadas em inteligência artificial, internet das coisas, BIM e sistemas de georreferenciamento integrado. O aproveitamento dessas tecnologias pode transformar o mercado imobiliário em um "setor inteligente", aprimorando o processo de incorporação imobiliária, além de colaborar com a gestão de uma cidade mais eficiente. Entretanto, em função da obsolescência, as tecnologias das cidades inteligentes podem rapidamente tornar-se ultrapassadas. Dessa forma, os desenvolvedores devem planejar atualizações futuras, e considerar a viabilidade a longo prazo das tecnologias que incorporam em seus projetos.

O mercado imobiliário inteligente em cidades inteligentes não envolve apenas integração tecnológica e sustentabilidade; também implica em impactos econômicos. O aumento dos valores imobiliários associados ao desenvolvimento de cidades inteligentes gera receitas significativas para os governos municipais, que podem realimentar o ciclo, reinvestindo-as em novas melhorias urbanas e tecnologias de ponta.

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